A devastação moralizadora e o dedo-duro profissional

Por Fernando Brito , Tijolaço

Reportagem de O Globo, hoje, retrata o desemprego e a paralisia das obras tocadas pelas empreiteiras da Lava Jato.

Em duas, apenas – a Odebrecht e a Camargo Correa –  estima-se em 68 mil demitidos. Como é notório que grandes obras são feitas em regime de subempreitada com empresas menores, que contratam o grosso do pessoal, pode multiplicar à vontade este número.

Como o dinheiro público também está ali, em esqueletos de concreto, além da devastação humana, pode-se apreciar também o desastre financeiro que a execução histérica dos processos de Curitiba provocou.

Trabalhadores demitidos e a população prejudicada pela paralisia dos projetos, certamente, não vão ter os milionários consolos dos empresários que firmaram acordos de leniência com multas que saem do caixa das empresas e vão para lugar nenhum.

mas outros também podem lucrar. O jornal faz, em outra matéria, logo abaixo desta, a louvação do dedo-duro remunerado, proposta norte-americana defendido pelo Ministério Público tupiniquim. Comemora-se o fato de que lá, desde que se profissionalizou o alcaguete, 34 pessoas receberam, por isso, US$ 111 milhões, ou R$ 357,4 milhões, em 5 anos.

Na média, R$ 10,5 milhões para cada dedo-duro.

Emprego bom, este de delator. Daqui a pouco, se a moda pega, vai ter criança respondendo àquela pergunta de “o que você vai ser quando crescer, meu filho?” com um sonoro e decidido:

-Dedo-duro, papai!

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