Ação contra Aníbal obriga respostas à denúncia contra Renan Calheiros

Do Jornal GGN
Aproximam-se de julgamentos os caciques do PMDB já denunciados pela Operação Lava Jato. Isso porque o ministro relator Edson Fachin decidiu manter Aníbal Gomes (PMDB-CE) réu de ação penal, nesta terça-feira (14). A medida abrirá para decisões do Supremo contra os políticos já denunciados, sobretudo Renan Calheiros (AL).
Isso porque, por unanimidade, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) seguiu o entendimento de Fachin de que a ação penal contra o deputado está clara e não apresenta nenhum impedimento para o investigar.
Por outro lado, o deputado federal pelo PMDB é acusado de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito das investigações da Operação Lava Jato. No andamento da denúncia contra Aníbal, a atuação do peemedebista foi associada a supostos crimes cometidos por nada menos que o ex-presidente do Senado, Renan Calheiros.
Logo que as denúncias foram enviadas à última instância pela Procuradoria-Geral da República, o GGN mostrou o depoimento do ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, que indicava: Aníbal trabalhou a mando de Renan Calheiros.
Segundo Costa, Calheiros era quem dava a sustentação política para que ele continuasse como diretor da Petrobras. E o representante do senador peemedebista nas negociações de propinas junto a empreiteiras era Aníbal Gomes.
“O senador Renan Calheiros nunca participou de nenhuma reunião com empreiteiros. O Aníbal Gomes, sim”, havia contado Paulo Roberto Costa em depoimento. “O senhor negociava com ele também valores, propinas, comissionamento?”, perguntou o advogado da OAS presente na audiência. “Não. Não, com ele não. Mas ele tinha um representante lá, um deputado, Aníbal Gomes, que em algumas vezes negociou comigo isso”, disse o ex-diretor.
Hoje, na ação penal que agora tramita sem empecilhos no STF, Aníbal é acusado pela Procuradoria-Geral da República de um acordo de R$ 800 mil em repasses a Costa, para “facilitar” contratos entre a Petrobras e empresas de praticagem atuantes na Zona Portuária. Mas o ex-diretor narra que o montante ficou como dívida, não pago.
No depoimento prestado em fevereiro de 2015, Paulo Roberto Costa deixa claro: o deputado Aníbal Gomes “estava representado” o senador Renan Calheiros. “Ele [o deputado] falou que R$ 800 mil era para mim, o restante era para o grupo deles. Ele não me falou ‘Renan’, mas eu subentendi”, contou o ex-executivo.
O avanço da ação penal contra o ainda terceiro político réu da Lava Jato no STF deverá acelerar as denúncias que envolvem Renan Calheiros e a cúpula peemedebista acusada de comandar o esquema de corrupção na Petrobras.
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