Barroso: ‘impossível não sentir vergonha do Brasil’

Ministro do STF, Luís Roberto Barroso afirmou que “a corrupção virou, para muitos, um modo de fazer negócio. E, para outros, um meio de vida”; “É impossível não sentir vergonha pelo que acontece no Brasil”; durante aula inaugural de Direito na UFMG, o ministro voltou a criticar o foro privilegiado, que, segundo ele, é uma das causas da impunidade; denúncia leva 565 dias para ser recebida no STF; em uma vara de primeiro grau, é recebida em 48 horas

Do Brasil 247

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso afirmou, nessa quinta-feira (23), que “a corrupção virou, para muitos, um modo de fazer negócio. E, para outros, um meio de vida”, durante aula inaugural na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte.

“A corrupção disseminou no Brasil em nível espantosos. E não foram condutas individuais, pontuais, acidentes, derrapagens, se tornou sistêmica em extensão e profundidade estarrecedoras. Onde você destampa tem alguma coisa errada”, disse. “É impossível não sentir vergonha pelo que acontece no Brasil”, acrescentou. Segundo ele, os jovens precisam ter o “compromisso de virar esse jogo para fazer um país melhor para vocês e para os nossos filhos”.

O ministro voltou a criticar o foro privilegiado, uma das causas da impunidade, conforme afirmou. Segundo ele, existem cerca de 500 processos no STF envolvendo foro. A denúncia leva 565 dias para ser recebida. Em uma vara de primeiro grau, é recebida em 48 horas.

“O sistema é muito ruim. Além disso, quando o processo começa a andar em todas as circunstâncias, o sujeito deixa de ser parlamentar e vira prefeito, e a competência é declinada para o Tribunal de Justiça. E, já ao final do mandato de prefeito, ele se desincompatibiliza. Aí, o processo desce para o primeiro grau. Um tempo depois, ele é candidato, se elege deputado e o processo sobe para o STF. Quanto tempo já passou? O necessário para prescrever”, disse.

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Maconha e aborto

Ao comentar sobre legalização da maconha, Barroso afirmou ser a favor, porque a “guerra contra as drogas fracassou no País”. “Se não está funcionando, temos que fazer algo de diferente”, complementou.

O ministro também defendeu a descriminalização do aborto ao citar dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), que aponta que a proibição não reduz a prática, apenas impede que ocorra em locais seguros. “A criminalização penaliza as mulheres pobres”, disse.

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