Caso Fifa: planilha exibida em julgamento mostra propina de US$ 10 milhões paga pela Globo

Do Globo Esporte:

O julgamento do processo sobre corrupção na Fifa teve um dia repleto de planilhas no Tribunal Federal do Brooklyn nos Estados Unidos, nesta quinta-feira. Os advogados de defesa questionaram Eladio Rodrigues, testemunha e ex-funcionário da empresa argentina Torneos y Competencias (TyC), que assumiu na quarta-feira ter sido responsável pelo pagamento de propinas a diversos dirigentes. Durante o depoimento, um pagamento de US$ 1 milhão a um ex-funcionário da TV Globo, Marcelo Campos Pinto, apareceu numa das planilhas apresentadas.

A defesa do ex-presidente da CBF José Maria Marin tentou mais uma vez convencer os jurados do “Caso Fifa” que era Marco Polo Del Nero, e não ele, o destinatário de propinas pagas por empresas de marketing esportivo. Na véspera, o delator argentino Eladio Rodriguez havia afirmado ter pago propinas no valor de US$ 4,8 milhões para Marin e Del Nero, que em troca do dinheiro beneficiariam a empresa Torneos em contratos da Copa América, da Copa Libertadores e da Copa Sul-americana.

O advogado Jim Mitchell, que defende Marin, exibiu três documentos inéditos para tentar provar que era Del Nero – sucessor de Marin e atual presidente da CBF – quem recebeu o dinheiro. Um desses documentos era um e-mail enviado por Eladio Rodríguez a ele próprio no dia 6 de junho de 2013, com uma lista de tarefas a cumprir.

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Desde o início do julgamento, que está na quarta semana, a estratégia da defesa de José Maria Marin foi apresentá-lo como alguém inocente, sem poder de decisão no futebol brasileiro – e transferir a responsabilidade para Marco Polo Del Nero.

Em outro momento, a defesa buscou um item de 9 de dezembro de 2013 e perguntou sobre a sigla M-C-P. Inicialmente, Eladio disse que MCP era o atual presidente da CBF. A seguir, quando a promotoria voltou a interrogá-lo, ele retificou essa resposta.

O promotor exibiu documentos – entre eles um pagamento feito pela TV Globo no valor de US$ 10 milhões à T & T referentes a um contrato de transmissão. Logo abaixo apareceu outra anotação em espanhol – indicando transferência de US$ 1 milhão da mesma T & T para um ex-funcionário da Rede Globo – Marcelo Campos Pinto. A anotação dizia: “Contrato com vehiculo Marcelo Campos Pinto – 1.000.000”.

No depoimento de quarta, Eladio Rodrigues havia respondido também sobre transações financeiras do ano de 2013 – registradas em documentos que ele mesmo passou à promotoria. Esses documentos mostraram recebimentos e pagamentos da empresa Torneos y Traffic Holandesa, subsidiária da T & T das Ilhas Cayman, que por sua vez originalmente era uma sociedade entre a brasileira Traffic e a argentina Torneos y Competencias.

Na semana passada, em seu depoimento, Alejandro Burzaco, que foi o principal executivo da Torneos de 2011 a 2015, usou o termo “vehiculo” para se referir a empresas off-shore. E disse mais: que a T y T holandesa tinha sido criada para pagar propinas a dirigentes.

Na sequência, o promotor Nitze perguntou a Eladio:

– Quem é Marcelo Campos Pinto?

– Não sei.

– De quanto foi o pagamento?

– Um milhão de dólares.

Marcelo Campos Pinto foi o executivo da Globo responsável por contrato de transmissões de jogos de futebol até novembro de 2015 – quando deixou a empresa.

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