Caso Marco Aurélio II: reafirmo e fundamento o que escrevi

Por Fernando Brito, Tijolaço

Sou, como é evidente, alguém que vive de e para escrever e, portanto, quem me lê, concorde ou não, merece minha consideração e minha sinceridade.

A primeira manifestação que recebi sobre o post anterior, pelo Facebook, foi de parabéns. Outras, e várias, de crítica.

A maior parte por conta dos elogios a Aécio Neves contidos no voto de Marco Aurélio Mello que lhe serviu de base para negar a prisão e restabelecer o mandato parlamentar de Aécio Neves.

Embora alguns sejam apenas registros de sua carreira em mandatos eletivos, vários são totalmente imerecidos e incongruentes com o ato em que, por todas as evidências, ele se envolveu.

Seria bem mais fácil e lucrativo, pelos cliques que traria, eu me juntar a um coro de “mata e esfola”, mesmo que não no sentido “bolsonaro” da coisa, mas no figurado.

Digo de início: pouco se me dá o que Marco Aurélio, eu ou a Rainha da Inglaterra achem de Aécio Neves.

Eu, particularmente, acho que ele é um criminoso muito mais vil por roubar 54 milhões de votos dos brasileiros do que por tomar  dois milhões de reais de Joesley Batista.

Mas não pratico a ideia do “Direito Penal do Inimigo”, aquele que é usado pelos rapazes de Curitiba e por Sérgio Moro contra Lula.

Não tenho de fazer julgamento de simpatia ou de antipatia, ou legitimarei o que se faz por simpatias ou antipatias diferentes das minhas.

Se o fizer, não sou menos digno de nojo do que os energúmenos que justificam a perseguição a Lula usando como argumentos  xingá-lo de “ladrão”, “novededos”, “molusco”.

Quatro anos atrás, poderia ter me deixado levar pela “pureza” dos movimentos de junho de 2013, pela juventude e inconformismo que traziam e, hoje, todos – ou quase todos – sabem que foi dali (e logo depois no tal “padrão Fifa”) que brotaram os movimentos golpistas que deram sustentação ao golpe de verdade que se tramava no parlamento, com os Cunha, os Aécio, os Temer.

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Prisão de cidadãos, sejam quais forem,  e cassação de mandatos são anormalidades, não atos rotineiros.  Mesmo as detenções justificáveis, pela não destruição de provas do processo penal, devem durar apenas o tempo necessário para que isso seja evitado ou, claro, quando o acusado representa risco evidente à coletividade se posto em liberdade. E não é risco vago, mas físico, concreto, objetivo.

Isso foi alterado no Brasil há três anos e nos acostumamos à estranha lógica do “deixa apodrecer na cadeia até que confesse”. desde que a confissão seja a quem nos interessa acusar e condenar.

É o método Sérgio Moro, ao qual temos, usando a frase do Dr. Ulysses, “nojo e asco”.

Coloque alguém a viver num lugar onde tudo é “resolvido” a tapa e verá que essa pessoa, daí a algum tempo, também os tapas são seus argumentos.Em algum momento este país precisa recobrar a normalidade: investigar, processar, julgar, condenar com provas e, então, prender. E não a rota inversa.

Somos, diariamente, acusados de cúmplices de mal feitos por defendermos o devido processo legal, porque ele é a pequena e insuficiente  proteção que temos contra o poder.

Poder, inclusive, de uma Justiça alinhada ao dinheiro, à elite, ao conservadorismo que, mal e mal, aceita(va) que o voto popular poderia conceder poder a alguém que não fosse a eles, os sábios luminosos e todo-poderosos.

Depois de quarenta anos de política, começados em militância clandestina sob a ditadura, sei perfeitamente que as garantias do Estado de Direito são muito mais importantes para os que querem transformações do que para os que defendem o status quo.

Veja como os fascistas querem que tudo seja resolvido na base da prisão, cadeia, porrada.

Neste campo eles sempre vencerão, mas na democracia e no voto, com muito sofrimento, várias vezes os derrotamos e, tenho esperanças, os derrotaremos outra vez.

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Eu não confio em promotores, juízes, ministros; confio no julgamento do povo brasileiro.

Este é aquele no qual podemos falar, mesmo em desvantagem frente à mídia, porque nossas verdades são cortantes e as ideias deles tão horríveis e desumanas que têm de disfarça-las em candidatos maquiados com pó-de-arroz.

Sigo aqui, com todo o respeito aos amigos que pensam diferente – daqui a pouco posto o artigo de um velho companheiro com visão diversa da minha – o que aprendi em tantos anos, boa parte deles com Brizola (que por isso sofreu tantas incompreensões, em parte as minhas na época): olhem para onde vai a Globo e caminhem para o outro lado.

Eles não vacilam em espremer e atirar fora, como bagaço, aqueles que os serviram, como Sarney, depois Collor, agora Aécio.

Nenhum deles, por meu querer, merece um “bom dia”.  E muito menos merecem que, por meu ódio a eles, eu me transforme num cego, que não veja onde querem chegar: no segundo golpe, o de 2018, quando nos deixarão o direito de voto mas no qual, em nome dos argumentos que querem que eu legitime, nos tirarão o candidato.

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