Com Aloysio, Brasil corre para voltar a ser colônia

Uma das primeiras ações de Aloysio Nunes Ferreira como ministro de Relações Exteriores será acelerar o projeto do seu antecessor José Serra de reduzir a presença do Brasil no exterior; isso inclui o fechamento da maioria das 44 embaixadas brasileiras criadas nos governos do ex-presidente Lula, a maior parte delas na África; Aloysio conta com um estudo feito pelo colega tucano Tasso Jereissati (CE) que prega a “revisão da alocação de infraestrutura diplomática ao redor do mundo, privilegiando a localização em países do sul e norte que têm a maior chance de gerar dividendos econômicos e políticos para o Brasil”; medida tem resistência no próprio Itamaraty e em ex-chanceles brasileiros; no entanto, a aliança PSDB-PMDB já decidiu que o lugar do Brasil no século 21 é voltar a ser colônia. Preferencialmente dos Estados Unidos, se o presidente Donald Trump aceitar

Do Brasil 247

Uma das primeiras ações do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) como ministro de Relações Exteriores será continuar o projeto do seu antecessor José Serra de reduzir a presença do Brasil no exterior.

Amparado por um estudo do senador tucano Tasso Jereissati (CE), aprovado no final do ano passado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, na época presidida pelo próprio Aloysio, o novo chanceler pretende fazer uma “revisão da alocação de infraestrutura diplomática ao redor do mundo, privilegiando a localização em países do sul e norte que têm a maior chance de gerar dividendos econômicos e políticos para o Brasil”.

Durante os dois governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram criadas 44 embaixadas, a maioria delas em países da África. O estudo que Aloysio Nunes tem em mão recomenda que “reveja o número de embaixadas e de efetivo diplomático, de modo a maximizar o uso dos recursos do Ministério para gerar o maior retorno diplomático possível”.

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A medida é controversa e encontra resistência no Itamaraty desde a passagem de Serra por lá. Durante reunião da Comissão de Relações Exteriores do Senado em junho do ano passado, dois embaixadores brasileiros na África – Raul de Taunay indicado para a República do Congo, e José Carlos de Araújo Leitão para Cabo Verde – defenderam a aproximação do Brasil com o continente africano. “O Brasil não teria o comando da FAO [Organização das Nações Unidas para a Agricultura] e da OMC [Organização Mundial do Comércio] sem o apoio africano”, afirmou Taunay (relembre aqui).

Chanceler brasileiro no governo Lula, Celso Amorim també já se manifestou contrário à medida reducionista dos tucanos no governo Michel Temer. “Essa história de fazer análise custo-benefício é brincadeira. Você não pode fazer política internacional pensando nessa relação mesquinha de custo-benefício. O Brasil tem mais embaixadas que a Alemanha na África. Gente, a Alemanha não tem 50% da sua população afrodescendente. É natural que tenhamos mais embaixadas na África. Nós temos que abrir, e não fechar”, afirmou Amorim, durante evento em julho do ano passado (leia aqui).

Ouvido pelo jornal O Globo, o ex-ministro das Relações Exteriores no governo da presidente Dilma Rousseff, Mauro Viera, também argumentou que a ampla rede diplomática foi fundamental para que brasileiros chegassem ao comando de organizações multilaterais. “Nós não teríamos logrado a eleição do doutor José Graziano para a FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura; não teríamos logrado a eleição do embaixador Roberto Azevêdo para a OMC, se não tivéssemos tanta presença”, afirmou.

A aliança PSDB-PMDB que tomou o governo por meio de um golpe parlamentar, entretanto, já decidiu que o lugar do Brasil no século 21 é voltar a ser colônia. Preferencialmente dos Estados Unidos, se o presidente Donald Trump aceitar.

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