Com queda de apoio na Câmara, às portas de uma greve geral, depressivo, Michel adere ao “Fora, Temer”

O jornalista Luís Costa Pinto, do site Poder360, relata cenas de baixo astral no Planalto.

Segundo ele, um dos principais conselheiros de Michel Temer perguntou-lhe se ele “estava à vontade no cargo e se o caminho trilhado para chegar ao poder, via impeachment, havia sido mesmo a melhor opção para o grupo político que articulou a deposição de Dilma Rousseff”.

A resposta foi a necessidade de se tocar as reformas.

O tal conselheiro teria devolvido com uma série de indagações: “Essa agenda é nossa? E se ela for entregue agora, do jeito que a mídia quer, do jeito que o mercado quer, o que acontece?”

Ainda que a coisa não tenha ocorrido desta maneira, o fato de o diálogo ter vazado através de um cúmplice é sinal de que a festa acabou, Michel sobrou com o mico na mão — e ele tem consciência disso.

A fidelidade dos deputados federais às suas orientações cai de maneira consistente.

Em julho, a média de apoio na Câmara dos Deputados era de 91%, de acordo com uma ferramenta do Estadão. Em abril, ficou em 79%.

O rompimento de Renan é emblemático. Quem quer se associar a um sujeito e a um governo desprezados às portas das eleições de 2018?

Nem Michel aguenta mais Michel. Nas entrelinhas de suas declarações mais recentes, ele já jogou a toalha. 

Suas confissões de desalento são públicas.

No bate papo com a Band, colocou-se no papel de um paspalho que foi parar no trono por causa da chantagem de Eduardo Cunha.

“Em uma ocasião, ele [Eduardo Cunha] foi me procurar.

Ele me disse ‘vou arquivar todos os pedidos de impeachment da presidente, porque prometeram-me os três votos do PT no conselho de ética’. Eu disse que era muito bom, porque assim acabava com essa história de que ele estava na oposição. (…) naquele dia eu disse a ela [Dima] ‘presidente, pode ficar tranquila, o Eduardo Cunha me disse que vai arquivar todos os processos d impedimento’. Ela ficou muito contente e foi bem tranquila para a reunião. 

No dia seguinte, eu vejo logo o noticiário dizendo que o presidente do PT e os três membros do partido se insurgiam contra aquela fala e votariam contra [Cunha no Conselho de Ética]. Mais tarde, ele me ligou e disse ‘tudo aquilo que eu disse, não vale, vou chamar a imprensa e vou dar início ao processo de impedimento’.

Que coisa curiosa! Se o PT tivesse votado nele naquele comitê de ética, seria muito provável que a senhora presidente continuasse”.

Depois, metido até o pescoço (que não tem) nas delações da Odebrecht, afirmou que caixa 2 é “opinião” da empreiteira.

A uma TV espanhola, declarou que a corrupção no Brasil é “triste”. 

Não fingiu indignação, não fez aquele teatro do começo do golpe com as mãozinhas, não bateu na mesa, nada. É um político derrotado, resignado e culpado.

Dia 28 haverá uma greve geral e os dias não vão melhorar. Temer apenas diminui com o passar do tempo, ciente de que não entregou a mercadoria que seus patrocinadores lhe encomendaram.

Ele tentou se encaixar no papel de que era o homem necessário para o momento. Repetiu que preferia ser impopular a populista, uma formulação criada por Nizan Guanaes num momento de bullying palaciano.

Mas essa narrativa de herói relutante, uma espécie de Frodo Bolseiro, não para em pé. Temer sempre será coadjuvante.

Acostumado às sombras, conspirou no impeachment por ambição e vaidade, alimentadas por dinheiro e pela presença da mulher, 43 anos mais nova, que certamente lhe cobra o paraíso prometido.

Falhou miseravelmente e agora é um fantasma que vê fantasmas. Michel já aderiu ao “Fora, Temer”. Só não renuncia porque é pequeno demais para isso.

Leia::  STF dá 24 horas para Temer explicar nomeação de Moreira Franco

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