Como é o projeto que tenta abrir um dos maiores mercados não explorados de internet do mundo

Pontos de internet também servirão para implementar centros de educação à distância

por André Cabette Fábio, NEXO

Enquanto o acesso a internet no Brasil atinge cerca de 59% da população, na Índia essa taxa chega a apenas 26%, segundo dados de 2015 do Banco Mundial. O país é lar de um dos maiores públicos potenciais não explorados do planeta — mais de 900 milhões de pessoas não estão conectadas.

Segundo estudo publicado em 2015 pela gigante de serviços financeiros Morgan Stanley, mesmo com a participação reduzida, o mercado de vendas pela internet movimenta US$ 11 bilhões por ano e movimentaria cerca de US$ 137 bilhões em 2020 caso apenas um terço dessas cerca de 900 milhões de pessoas se conectassem.

Por isso, levar acesso à rede a essa população é visto como estratégico para o crescimento de gigantes da internet, que já saturaram seu público em países mais conectados. O Facebook chegou a estruturar em 2014 uma proposta de conectar indianos de forma gratuita por meio de uma parceria com uma empresa de telefonia local.

Mas o projeto foi rechaçado por parte da população e vetado pelo órgão regulador do país em 2016. O motivo: quem usasse o serviço não teria acesso a todo o conteúdo da internet, mas apenas a alguns sites sem fins lucrativos, ao Facebook, e outras empresas privadas selecionadas. Elas teriam, portanto, privilégios no acesso ao novo mercado.

O Google também tem feito incursões no país, instalando acesso a wi-fi gratuito em estações de trem e lançando aplicativos que permitem serviços da empresa, como YouTube ou Chrome, funcionar mesmo com internet de baixa qualidade — o que se aplica também para as operações em outros países.

Agora, o governo indiano anunciou que planeja implementar uma alternativa estatal à ampliação da internet. Chamado de Vila Digital, ela não privilegia nenhuma empresa e aumenta o papel do Estado na expansão da conectividade no país.

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O projeto estatal de ampliação do acesso à internet

O projeto consiste em instalar pontos de wi-fi gratuito em 1.050 vilarejos até julho de 2017 a um custo inicial de US$ 62 milhões. Além de acesso a internet a qualquer um com um smartphone ou computador, o governo também planeja implementar serviços de educação à distância e atendimento médico. Caso tenha sucesso, o projeto será ampliado.

Em comunicado, o governo afirma que a iniciativa “se afasta da abordagem tradicional dos projetos governamentais para a internet (que focavam na criação de infraestrutura)”.

Serviços além do wi-fi

Educação

Segundo o governo indiano, salas de aulas com equipamentos para videoconferências serão instaladas. Elas serão usadas para que professores de escolas que são referência de qualidade deem aulas à distância.

De acordo com um comunicado oficial, “o professor local da escola rural [onde as salas de videoconferência são instaladas], onde quer que esteja presente, deverá prestar assistência ao professor da escola referência [de onde a aula é transmitida] para efetivar as sessões de aulas à distância”. O governo também poderá usar a infraestrutura para realizar outros cursos de formação — o documento oficial não exemplifica quais.

Saúde

Centros locais de atendimento básico de saúde serão equipados com kits de diagnóstico médico e tecnologia para realização de videoconferências. Essas unidades serão associadas a hospitais regionais de referência, para onde uma equipe local enviará dados de pacientes para que análises sejam realizadas.

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