Delator da Odebrecht acusa caciques do PMDB ao TSE

do Jornal GGN
O ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Júnior, conhecido como BJ, afirmou que as propinas relacionadas à construção da usina de Belo Monte, no Pará, foram destinadas exclusivamente ao PMDB. “Eu afirmei – tenho quase certeza – que não foi pago nada pro PT por Belo Monte. O PMDB era uma conta específica da obra, uma despesa que foi combinada e debitada a obra”, disse o executivo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na íntegra da delação, que foi disponibilizada à Folha de S. Paulo, o ex-funcionário da Odebrecht acusou o senador Edison Lobão (PMDB-MA) de receber os recursos referentes ao esquema ilícito e isentou o PT de qualquer benefício relacionado ao caso.
Sem citar qual pergunta foi feita pelo ministro relator do processo de cassação no TSE, Herman Benjamin, o jornal transcreveu a resposta de Benedicto Júnior provavelmente a um questionamento sobre participações do PT.
“Quando recebi o projeto, foi-me informado que havia alguns compromissos assumidos lá na partida. E esses compromissos estavam destinados a dois partidos, sendo que um dos partidos… havia uma orientação de Marcelo de que não deveríamos fazer as contribuições – era o PT. E o PMDB tinha as pessoas que tratavam lá com os executivos anteriores a mim. O que conheço do assunto é isso. Não houve nada ao PT especificamente feito por Belo Monte por orientação do próprio Marcelo”, disse o executivo.
Além de Lobão, que é presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e que é um dos interessados em acelerar o projeto de abuso de autoridade na Casa, o delator mencionou um “deputado ou ex-deputado” que teria recebido os recursos por parte do PMDB.
“Se não me engano, foi combinado através do doutor Edison Lobão e teve um outro, um deputado ou um ex-deputado que posteriormente ao doutor Edison Lobão foi quem recebeu em nome do PMDB – um deputado do Pará. Essas foram as duas pessoas cujos nomes eu ouvi, doutor”, afirmou.
Uma investigação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) já imputa peemedebista neste esquema de Belo Monte. Com base nas delações da Odebrecht e também do senador cassado Delcídio do Amaral, o inquérito indica que os peemedebistas Renan Calheiros (AL), Jader Barbalho (PA), Romero Jucá (RR) e Valdir Raupp (RO) comandaram o esquema de corrupção de empresas do setor elétrico.
A investigação aponta que os parlamentares receberam doações legais, declaradas à Receita Federal, da Odebrecht, mas como forma de disfarçar as propinas do caso.
“Eu acho que houve pagamentos em 2014 para o PMDB, mas não tenho certeza porque não li o relato. Eu tenho quase certeza de que foi feito. Por isso acho que há um ex-deputado que foi a pessoa que procurou o meu executivo, levado por um executivo da Andrade Gutierrez”, completou Benedicto Júnior.
O advogado de Lobão, Antonio Carlos de Almeida Castro, refutou as acusações, negando irregularidades e criticou “os vazamentos criminosos e dirigidos”.
Benedicto também trouxe detalhes a Herman Benjamin sobre um dos desdobramentos da Operação Lava Jato, envolvendo outros nomes de peemedebistas, o caso do Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS). Afirmou que às vésperas da eleição de 2010, a Odebrecht negociou um pagamento de R$ 13,5 milhões para um conselheiro do Fundo, para facilitar um negócio bilionário.
Tratava-se da tentativa de adquirir 30% da Odebrecht Transport Participações, empresa recém-criada pelo grupo. Para isso, precisariam de um aporte de R$ 1,3 bilhão do Fundo de Investimentos. Em troca, ofereciam uma contrapartida de 1%.
Também em cenário similar, aparece o caso de uma negociação para que o F_FGTS investisse R$ 429 milhões no setor de transportes da Odebrecht, para capitalizá-lo. O ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) seria o responsável por fazer essa facilitação, cobrando propina de 1% sobre o valor da operação.
Em defesa, Cunha afirmou que repassou os R$ 4 milhões a Fábio Cleto, então vice-presidente da Loterias da Caixa e mais três conselheiros do Fundo de Investimentos: João Graça, ligado ao PDT, Luiz Fernando Emediato, ligado à Força Sindical, e uma pessoa ligada ao PT, não identificada por Cunha.
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