Duque inocenta Dirceu e mostra que Lula é um fracasso como “poderoso chefão”

O depoimento de uma hora e meia que o ex-diretor da Petrobras Renato Duque prestou ao juiz Sérgio Moro ontem é um bom exemplo de manipulação de informações que os grandes órgãos da mídia brasileira vêm praticando nos últimos anos.

O que saiu na imprensa é uma coisa; o que ele realmente disse é outra, muito diferente.

O episódio produziu três vítimas: Lula, José Dirceu e a verdade.

Quem apenas leu os grandes jornais, revistas ou viu na TV ficou com a impressão de que Duque finalmente apresentou provas evidentes de que Lula era o comandante da corrupção na Petrobrás e que o ex-ministro José Dirceu, apontado como o padrinho de Duque tinha sido o grande beneficiado.

Como a Lava Jato se ocupa em demonstrar há três anos e não consegue.

Duque, no entanto, afirma que Dirceu não foi seu padrinho coisa nenhuma.

Havia uma divergência, contou ele, entre Delúbio Soares e Silvio Pereira: Delúbio queria na Diretoria de Serviços o diretor que já estava lá, enquanto Pereira defendia a nomeação de Duque.

Dirceu foi chamado, então, para dar o voto de Minerva.

E escolheu Duque. Apenas isso.

Mas jamais pediu alguma coisa em troca:

“Nunca me pediu nada”, disse Duque, mas essa frase foi omitida nos noticiários.

Somente quem assistiu à íntegra ficou sabendo, também, que Duque afirmou que a corrupção na Petrobras não foi criada em 2003, quando ele chegou, mas que já estava implantada.

Infelizmente, o juiz Sergio Moro não perguntou desde quando o sistema corrupto vigorava.

E ele não entrou em detalhes.

Quanto a Lula, as acusações de Duque são baseadas ou em declarações de terceiros ou em suas impressões subjetivas. E não em fatos.

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Ele conta, por exemplo, que o ministro Paulo Bernardo o chamou a Brasília e comunicou que ele daí em diante deveria tratar com Vaccari questões relativas às contribuições ao PT, a pedido de Lula.

Embora Paulo Bernardo não tenha declinado o nome, somente se referiu a ele com um gesto que indicava um rosto com barba. Seria um dos apelidos de Lula.

Moro não perguntou, mas deveria, por qual motivo o ministro teve que expor Lula. Ele não tinha poder suficiente para determinar a Duque com quem ele deveria se relacionar?

Por que entregar o suposto chefe sem necessidade?

A outra acusação que Duque faz a Lula ele disse ter ouvido de Vaccari: que a porcentagem do contrato das sondas relativa ao PT iria para Dirceu e Lula.

Mais uma vez Moro não se interessou em saber por que um petista tão competente e leal como Vaccari, fundador do PT revelaria a Duque o destino da propina.

O mais lógico não seria Vaccari proteger o “chefão”?

Outra coisa: como é que Duque vai provar que Paulo Bernardo e Vaccari disseram o que ele disse que disseram se ele não gravou?

Ele também conta ter tido três encontros com Lula, todos eles quando ele já era ex-diretor da Petrobrás e Lula ex-presidente da República.

No primeiro encontro, em 2012, a seu pedido, intermediado por Vaccari, sob pretexto de agradecer por sua indicação à diretoria, Lula teria demonstrado conhecer tão profundamente o assunto das sondas que Duque concluiu:

“Ficou claro que ele conhecia tudo, ele estava no comando de tudo”.

Essa frase, sozinha, desligada do contexto, leva qualquer um a pensar que Duque tinha como sustentar esse “ficou claro”; mas quem viu o vídeo sabe que foi apenas uma conclusão subjetiva do ex-diretor.

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Sem nenhuma prova.

No segundo encontro, em 2013, Lula teria lhe perguntado porque as empresas contratadas para fazer as sondas “não estavam pagando”.

É um tanto estranho, convenhamos, um político extremamente cauteloso como Lula tratar de um assunto tão delicado e secreto com um sujeito com o qual não se relacionava e que ele tinha visto apenas uma vez na vida e que era, ainda por cima, ex-diretor da Petrobrás.

No terceiro encontro, em 2014, depois da eclosão da Lava Jato, no hangar da TAM do Aeroporto de Congonhas, Lula teria perguntado, de chofre, se ele tinha conta na Suíça relativa a operações da SBM e às sondas. Duque teria respondido que não e Lula concluiu: “Se tiver alguma coisa, não pode ter. Não pode ter nada em seu nome”.

Que Lula não nos ouça: como chefe de quadrilha ele é um fracasso!

Qualquer bom Dom Corleone jamais trataria desses assuntos pessoalmente, enviaria um emissário.

E, mais uma vez: como Duque vai provar que Lula disse o que ele disse que Lula disse? Ele gravou?

Ou seja: nada do que Duque afirmou em seu depoimento “bombástico” prova alguma coisa contra Lula ou Dirceu.

Serviu para mais uma vez demonizá-los nas manchetes.

Mas não acredito que esse depoimento ajude Moro a condenar Lula ou Dirceu.

E Duque a abater sua pena.

Vídeo:

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