Goiânia vai às ruas em solidariedade a Mateus Ferreira, o estudante agredido pela PM

Alunos, amigos, parentes, professores da Universidade Federal de Goiás e trabalhadores da educação farão uma vigília em frente ao hospital em que o estudante, atingido por um golpe de cassetete na cabeça, está internado em estado grave

por Rafael Oliveira,  Rede Fórum

Se o subcomandante da 37ª Companhia Independente da Polícia Militar e capitão da PM de Goiânia, Augusto Sampaio de Oliveira Neto, permanece sem punição pelo Comando da Polícia, mesmo após as provas apresentadas pelo jornalista Luiz da Luz, por outro lado, alunos da Universidade Federal de Goiás, professores desta instituição e professores da rede pública, amigos e parentes se mobilizam em solidariedade e também para pressionar o órgão a tomar uma atitude com relação ao agressor.

A reitoria da Universidade Federal de Goiás encaminhou nesta terça-feira (2) um ofício direcionado ao Secretário de Segurança Pública do Estado de Goiás, Ricardo Brisolla Balestreli. Nele, a instituição repudia a violência contra o estudante Mateus Ferreira da Silva e cobra uma “responsabilização criminal do agressor”.

A Faculdade de Ciências Sociais da UFG – local onde Mateus estuda – também emitiu uma nota repudiando a violência cometida pela PM de Goiás contra o estudante. A faculdade reforça que o estudante é um aluno exemplar e que exercia seu direito de se manifestar, garantido pela Constituição da República. A nota ainda reserva críticas ao policial que agrediu Mateus dizendo que cometeu uma agressão “unilateral, criminosa e irracional”.

O Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em Direitos Humanos (NDH/UFG), Núcleo de Estudos sobre Criminalidade e Violência (NECRIVI/UFG) e o Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar e Direitos Humanos (PPGIDH/UFG), em nota, recordam o estado grave do estudante e alertam sobre a violência que os governos federal e estadual, por meio de sua polícia, que tem reprimido marchas pacíficas, da “necessidade de responsabilizar os agentes que atentam contra as vidas dos estudantes que têm se manifestado de forma ordeira e republicana”.

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Também nesta terça-feira, professores da universidade solicitaram, através de um abaixo-assinado ao reitor Orlando Amaral, que o dia três de maio seja um dia de paralisação das atividades na instituição para que professores e alunos possam participar da vigília que ocorrerá em frente ao Hospital de Emergência de Goiânia. O abaixo-assinado é de autoria da Dr. Adriana Delbó Lopes, docente da FAFIL (Faculdade de Filosofia) e consta, até o momento, com 60 assinaturas.

O comando da greve do Simsed (Sindicato Municipal dos Servidores da Educação em Goiânia) divulgou o seu calendário de mobilização. Nele, os professores e servidores em greve confirmam o ato em solidariedade a Mateus. O calendário também inclui atos no Ministério Público, na Câmara dos Vereadores e na sede da TV Record Goiás, contra as declarações do apresentador Oloares Ferreira. A categoria foi atacada pela Guarda Municipal no dia 26 de abril após ocupar a Secretaria Municipal de Educação com o objetivo de pressionar o prefeito Iris Rezende (PMDB-GO) a negociar com a categoria.

Em boletim médico divulgado na manhã desta terça-feira (2), Mateus Ferreira da Silva apresentou melhora clínica, com quadro estável. Apesar da situação ter sido estabilizada, o quadro ainda é grave e ele ainda permanece em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

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