Homologação de delações tem mistérios que começarão a vir à tona

Por Fernando Brito, Tijolaço –

Janio de Freitas, que pratica o hoje incômodo hábito de apontar o que não faz sentido, mas é engolido solenemente por nossa mídia, registra que um dos auxiliares do finado Teori Zavascki, o juiz Márcio Schiefler Fontes foi cumprir em Curitiba a formalidade de ouvir Marcelo Odebrecht, sobretudo, nesta indagação obrigatória: fez sua delação premiada por “vontade própria?”

Foi, claro. Depois de um ano e quatro meses na prisão, sem ser ouvido até que se mostrasse disposto a fazer a delação desejada pelo juiz e pelos procuradores –estes detentores, eles sim, de vontade imprópria, completa Janio.

Some agora o conteúdo de uma pequena nota publicada por Lauro Jardim, hoje:

Marcelo Odebrecht está rompido com os pais e as irmãs

Há dois submundos nesta história das delações.

Um, o que elas revelam de verdade, o submundo da política, dos políticos e dos governos.

Por exemplo: é verossímil que Michel Temer tenha pedido R$ 10 milhões ao próprio Marcelo Odebrecht, em pleno Palácio do Jaburu sem que, antes, outros pedidos já lhe tivesse encaminhado, por pessoas interpostas, com sucesso? Será que um vice-presidente da República iria pedir, assim, “na lata”, dinheiro a um megaempresário?

Marcelo Odebrecht dirá algo sobre isso? O mesmo vale para “Botafogo”, Rodrigo Maia, e “Índio”, Eunício Oliveira, às vésperas de suas confirmações como presidentes da Câmara e do Senado, embalados pela sabujice geral de deputados e senadores mergulhados até o pescoço em cumplicidades e mediocridades, vão conseguir impor facilmente as degolas sociais mandadas por “MT”, que subirá muitos degraus na escada de citações pelos delatores?

E outros, muitos outros.

O segundo submundo, que um dia virá à tona com toda a sua crueza é o jogo de chantagens e direcionamentos contidos nesta seara podre das delações, onde está evidente que Marcelo Odebrecht foi coagido – por Moro, que o manteve preso; pelo MP, que o queria dócil e pela família, que queria salvar o possível de seu império – a ponto de pressionar aquele que vivia a pressão de mais de um ano de encarceramento.

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Talvez um bom motivo para Sérgio Moro, ao contrário do que fez com os demais, ainda mantê-lo, após a delação, nas masmorras de Curitiba.

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