Inconformado com liberdade de Dirceu, Dallagnol ataca credibilidade do Supremo

Do Jornal GGN
O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal para a Lava Jato, em Curitiba, expressou nas redes sociais a frustração com a decisão do Supremo Tribunal Federal. Por 3 votos a 2, o STF decidiu, nesta terça (2), conceder a José Dirceu o direito de aguardar a conclusão de processos em liberdade. Em uma postagem no Facebook, Dallagnol citou decisões do STF sobre outros casos de “menor gravidade”, envolvendo traficantes e um ex-prefeito, e insinuou que, ao contrário desses réus, Dirceu conseguiu o habeas corpus no STF porque tem dinheiro e influência.
“Gostaria de poder entender o tratamento diferenciado que recebeu José Dirceu”, disse Dallagnol. “A mudança do cenário, dos morros para gabinetes requintados, não muda a realidade sangrenta da corrupção”, comentou.
Após usar trechos das decisões de Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Gilmar Mendes (todos concordaram com o HC de Dirceu) em outros casos onde os réus não tiveram decisões favoráveis, Dallagnol argumentou que a corrupção descoberta pela Lava Jato é muito grande para não pesar na decisão do STF.
“Enquanto o tráfico ocupa territórios, a corrupção ocupa o poder e captura o Estado, disfarçando-se de uma capa de falsa legitimidade para lesar aqueles de quem deveria cuidar. A mudança do cenário, dos morros para gabinetes requintados, não muda a realidade sangrenta da corrupção.”
Em seu voto em favor de Dirceu, Gilmar Mendes chamou de “brincadeira juvenil” a denúncia que o time de Dallagnol apresentou às pressas, nesta terça, contra Dirceu, com a intenção de pressionar o STF a manter a prisão preventiva do petista, decretada por Sergio Moro. Gilmar disse que foi um erro tentar intimidar os ministros da Suprema Corte, além de reafirmar que o papel da instituição é julgar de acordo com as leis, não com o que sai na imprensa.
“O Supremo Tribunal Federal é a mais alta Corte do país. É nela que os cidadãos depositam sua esperança, assim como os procuradores da Lava Jato. Confiamos na Justiça e, naturalmente, que julgará com coerência, tratando da mesma forma casos semelhantes. Hoje, contudo, essas esperanças foram frustradas”, disse Dallagnol.
O procurador ainda apontou que tem “receio” de ver a soltura de outros réus da Lava Jato, como os políticos Pedro Correa, André Vargas e Luiz Argolo, além de João Vaccari Neto, Marcelo Odebrecht, Renato Duque e Jorge Zelada. “Todos [estão presos] há mais tempo do que José Dirceu. Isso porque sua liberdade representa um risco real à sociedade. A prisão é um remédio amargo, mas necessário, para proteger a sociedade contra o risco de recidiva, ou mesmo avanço, da perigosa doença exposta pela Lava Jato.”

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