João Marcos Buch: ódio não pode ser uma resposta

Juiz João Marcos Buch, titular da Vara de Execuções Penais de Joinville (SC), avaliou em entrevista à TV 247 escalada do discurso e práticas de ódio no Brasil desde as eleições de 2014 e aprofundadas após o golpe parlamentar de 2016; com atuação voltada para a defesa dos direitos humanos e autor de livros sobre o tema, Buch vê com preocupação o aumento do discurso punitivo. “Eu acredito que o ódio não pode ser uma resposta. Todas as vezes na história da Humanidade que o ódio foi a resposta, nós tivemos guerras, extermínio, tivemos o Holocausto”, diz o magistrado; para ele, a defesa dos direitos humanos não é uma opção; “A defesa do Artigo 5º da Constituição Federal, dos direitos e garantias individuais não é uma opção do juiz. O juiz existe para garantir que esses direitos sejam respeitados”

Do Brasil 247

O juiz João Marcos Buch, titular da Vara de Execuções Penais de Joinville (SC), concedeu entrevista ao jornalista Leonardo Attuch na TV 247 e avaliou escalada do discurso e práticas de ódio no Brasil desde as eleições de 2014 e aprofundadas após o golpe parlamentar de 2016.

Autor de um projeto premiado de recuperação de sentenciados que passa pela inclusão na literatura e na arte, Buch vê com preocupação o aumento do discurso punitivo. “Eu acredito que o ódio não pode ser uma resposta. Todas as vezes na história da Humanidade que o ódio foi a resposta, nós tivemos guerras, extermínio, tivemos o Holocausto”, diz o magistrado.

João Marcos destaca que a população carcerária brasileira, atualmente a terceira maior do mundo com 726 mil presos, é composta majoritariamente por jovens de 18 a 28 anos. “Essa juventude não tem uma perspectiva de vida. Além dessa faixa etária, elas matam e morrem”, diz o juiz.

Leia::  Ruralista levam perdão de dívida nas costas dos aposentados

Questionado sobre como a atuação focada nos direitos humanos e na recuperação das pessoas é vista entre os juízes, João Marcos Buch afirma que nem todos os magistrados concordam com o seu método de trabalho e muitos defendem o recrudescimento ainda maior das penas.

No entanto, ele pondera que a defesa dos direitos humanos não é uma opção. “A defesa do Artigo 5º da Constituição Federal, dos direitos e garantias individuais não é uma opção do juiz. O juiz existe para garantir que esses direitos sejam respeitados. E quando nós conseguimos transmitir isso aos outros juízes, acabamos por perceber que existe uma boa recepção”, afirma.

João Marcos é também escritor e autor de livros como “Diário de um juiz das causas humanas”, “Retroceder jamais”, “Prisioneiros e juízes: relatos do cárcere” e outros.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *