Jornalistas ocupam prédio da JBS em BH que é prova da corrupção que une Aécio e a mídia

por Joaquim de Carvalho, DCM

Jornalistas ocuparam na manhã desta quinta, dia 1º, o prédio onde funcionava o jornal Hoje em Dia, em Belo Horizonte. 

O imóvel, que está desocupado, pertencia à Ediminas, empresa que editava o jornal e quebrou.

Era um bem que poderia garantir o pagamento do salário dos profissionais de imprensa e as verbas de demissão.

Mas Aécio Neves, ao pressionar Joesley Batista para comprar o prédio a preço superfaturado em 2015, impediu a execução do bem e ficou com o dinheiro que poderia servir para pagar os ex-empregados.

Com a ocupação do prédio, os jornalistas pretendem mostrar que não houve apenas crime de corrupção com o negócio.

Houve fraude ao credor.

Os donos do imóvel tentam defender Aécio da acusação de que o dinheiro da venda teria ido para ele.

Mas o advogado dos ex-empregados procurou o dinheiro nas contas da empresa e de seus proprietários, mas não encontrou nada.

Na delação premiada, Joesley Batista não deixa dúvida sobre quem ficou com o dinheiro:

Eu acabei, através da compra de um prédio, não sei como lá em Belo Horizonte, por 17 milhões, esse dinheiro chegou nas mãos dele. 

O prédio valia bem menos. O diretor da JBS Ricardo Saud, que também prestou depoimento em colaboração com a Justiça, disse o seguinte a respeito da venda do prédio.

Esse prédio é o seguinte… O Aécio, desculpa a palavra, virou uma sarna em cima do Joesley. Ficava ligando: ele, a irmã, o primo, pra mim, pro Joesley… 24 horas… que ele saiu da campanha devendo demais, que precisava acertar a vida dele… que tava com dificuldade muito grande, que não tinha como não fazer e tal.

O procurador da república que tomou o depoimento perguntou:

— Pedindo dinheiro?

Ricardo respondeu:

— Pedindo dinheiro… dinheiro… dinheiro… propina… dinheiro não, propina. Propina… Propina…

Uma evidência de que era mesmo propina é que a J&F não está usando o prédio para nada. Ele está fechado.

Aécio Neves e a irmã, Andrea, impuseram um clima de terror na imprensa de Minas Gerais, que impediu a publicação de qualquer reportagem, artigo ou nota que contrariassem seus interesses.

Com o negócio do prédio do jornal Hoje em Dia, agora se vê que a relação entre eles e os empresários da imprensa ia muito além das questões editoriais.

O negócio sujo envolvendo a venda do prédio do jornal Hoje em Dia é exemplar porque revela um tipo de relação entre esquemas de governo como o de Aécio e a imprensa brasileira.

Com certeza, vai muito além das questões editoriais e não fica restrito a Minas Gerais.

Por trás de cada editorial favorável, pode-se apostar que, de forma direta ou indireta, tem dinheiro.

Já passou da hora de investigar a fundo todos os crimes dos irmãos Neves.

E os empresários da imprensa também têm contas a pagar.

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