Lenio Streck e a fumaça da imprensa

por Fábio de Oliveira Ribeiro, GGN

Em artigo publicado no Consultor Jurídico recentemente, o jurista Lenio Streck abordou as contradições da discussão acerca do foro privilegiado tal como a mesma foi conduzida pela imprensa.

A julgar pelo conteúdo do texto, me parece evidente que Streck pretende debater racionalmente com uma imprensa que não consegue mais nem mesmo ser irracional. Deixa disso Lenio… A fumaça da guerra já conseguiu tornar tudo turvo e incerto.

No século XIX era difícil saber quem havia ganho um conflito armado. Depois que os fuzis e canhões começavam a cuspir chumbo e a fazer fumaça os generais não conseguiam ver direito como o que estava ocorrendo.

Eles movimentaram suas tropas com base em informações fragmentadas e nem sempre verdadeiras. Transmitidas, as ordens não eram ou não podiam ser fielmente cumpridas. Não raro dois comandantes proclamavam ser vitoriosos na mesma batalha em que haviam perdido quase todos os seus homens ou, pior, em que o seus exércitos haviam entrado em pânico e desmanchando durante a refrega.

A guerra era então tão irracional quando a fumaça da guerra. Isto explica porque o jovem Napoleão venceu tantas batalhas. Ele sempre proclamava ter sido vitorioso (inclusive e principalmente quando ordenava retirada)… no jornal que ele mesmo criou para alimentar sua fama pessoal em Paris.

O verdadeiro resultado da guerra, assim, pouco importava e virava fumaça assim que os jornais velhos eram queimados nas lareiras francesas alguns dias depois de terem sido publicados. A única coisa que restava era a fama do jovem general.

A irracionalidade da fumaça da guerra e a transitoriedade da verdade publicada transformada em fumaça foram racionalmente usadas por Napoleão. A genialidade dele como general-jornalista é evidente, mas não pode ser reproduzida neste momento em que os jornais deixaram de ser impressos.

Leia::  O leite das crianças e o jornalismo que não ousa dizer o nome

Cá nenhum jornalista-general será capaz de tirar proveito da irracionalidade de uma imprensa que declarou guerra ao próprio jornalismo. É por isso que Lenio Streck perde tempo ao debater racionalmente com a imprensa no momento em que ela mesma aplaude a chegada de Alexandre de Moraes no STF enquanto cospe no Tribunal.

A fumaça que turva a verdadeira verdade em nosso caso pode ser outra. Impossível dizer o que os jornalistas brasileiros andam fumando… Afinal, uns gostam de maconha e outros de crack.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *