Loures, o da mala, “é uma pessoa decente”, diz Temer à Istoé

por Fernando Brito, Tijolaço

Na entrevista – a escolha do veículo pode ser encontrada nas planilhas de publicidade do Governo Federal –  que concede à revista Isto é, Michel Temer saiu-se com esta pérola sobre seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, filmado carregando uma mala com R$ 500 mil entregues por Ruicardo saud, notório picareta e excutivo da JBS:

– Acho que ele [Loures]é uma pessoa decente. Eu duvido que ele faça uma delação. E duvido que ele vá me denunciar. Primeiro, porque não seria verdade. Segundo, conhecendo-o, acho difícil que ele faça isso. Agora, nunca posso prever o que pode acontecer se eventualmente ele tiver um problema maior, e se as pessoas disserem para ele, como chegaram para o outro menino, o grampeador (Joesley): “Olha, você terá vantagens tais e tais se você disser isso e aquilo”. Aí não posso garantir.

Temer diz que a mala corresponde a um negócio entre Loures e a JBS do qual ele não faz parte:

A conversa que ele (Joesley) teve (com Loures) não sei dizer qual era. Queriam seduzi-lo para fazer o seguinte: como não saiu o negócio do Cade, tempos depois, ele foi lá entregar um dinheiro, acho que uma antecipação ao Rodrigo. Para quê? Para flagrar, filmar. Mas é porque a coisa do Cade não estava saindo. Como realmente não saiu. Você propor um inquérito contra um presidente da República, ancorado numa gravação que, desde o primeiro momento, foi impugnada pelas nossas perícias mostrando a imprestabilidade dessa prova, isso não pode servir de fundamento desse inquérito.

Diz que  tem ” o direito de supor que seja uma tentativa de derrubar governo”, reage com explícita hostilidade ao procurador-geral Rodrigo Janot e, surpreendentemente, diz que poderia voltar a conversar com Eduardo Cunha se este sair da cadeia.

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Admite mudanças na direção da Polícia Federal, garante a reforma trabalhista, mas não faz o mesmo com a previdenciária e desdenha, sem negar, a saída do PSDB do Governo.

Divulgada hoje, na véspera da circulação da revista, a entrevista tem cara de “vacina” contra o que pode vir no final de semana.

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