Lula e o pão de ló – II

por Fernando Brito, Tijolaço

Já usei a metáfora, com outros números, os de aprovação do levantamento Ipsos-Estadão, em um texto aqui, lembrando a metáfora de Leonel Brizola com o pão que, bem sovado, cresce quase milagrosamente.

O jornalista Fábio Vasconcellos, que fazia – e muito bem – a coluna “Na base dos dados”, em O Globo, analisando pesquisas, usou os dados do Datafolha para mostrar o desempenho dos ex-candidatos ao longo do tempo e traçou o gráfico que adaptei – sem alteração de conteúdo, óbvio – para ilustrar este post.

O resultado é impressionante e aos que se alimentam da esperança de afastar o ex-presidente da disputa deveria fazê-los colocar não uma pulga, mas um elefante atrás da orelha, porque pouco sólida será uma decisão que produza efeito político  inverso ao que desejam.

Observem que,  dependendo do que se tome de ponto de partida (dezembro de 2015 ou após sua “condução coercitiva, em março de 2016), ele passa de 22% ou 17% para seus 36%, registrados na última rodada do Datafolha. 14 ou 19 pontos de crescimento, conforme a escolha que se fizer e 6 pontos desde que Moro condenou-o a nove anos e meio de prisão.

Bolsonaro, reconhecido por todos como um “fenômeno eleitoral”, no mesmo período, subiu 10 pontos. Menos, portanto, que o ex-presidente, Como cada ponto percentual equivale, aproximadamente, a 1,4 milhão de eleitores (sem considerar a abstenção), pode-se dizer que Bolsonaro “ganhou” 14 milhões de eleitores, enquanto Lula acrescentou – ou resgatou – um novo contingente de cidadãos e cidadãs  dispostos a dar-lhe o voto que varia  entre 17  e 27 milhões, considerado o momento da sua “semiprisão” determinada por Moro

É, portanto, mais “fenômeno eleitoral” ainda, se considerada a avalanche de mídia e ataques judiciais que recebe.

Leia::  Saudade do Lula, saudade do Brasil

Quanto a Marina Silva e Geraldo Alckmin, os outros pré-candidatos em relação aos quais Fábio tabula os índices, o retrato é aquilo que os gaúchos chamam de “crescer como cola de cavalo!”, isto é, para baixo. Ela cai de 24% para 10% (20 milhões de eleitores perdidos) e ele de 14% para 7% ( 10 milhões de eleitores a menos).

Seriam prudentes os aprendizes de feiticeiro que querem “inventar” a eleição com veto em lugar de voto.

A jararaca dobrou de tamanho desde que lhe pisaram o rabo.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *