Lula, no palanque do Moro

por Fernando Brito, Tijolaço

Não é possível prever o que se passará amanhã, no interrogatório de Sérgio Moro a Lula, exceto que será um ato político.

Não apenas porque Lula é um político 24 horas por dia como porque Sérgio Moro politizou uma investigação que, em outras instâncias foi, simplesmente, arquivada por insuficiência de materialidade.

Até porque, mesmo que se admita que o casal Lula tivesse a intenção de comprar, com ou sem favorecimento, o imóvel do Guarujá, não o fez e a lei penal não pode punir “intenções”, seja elas quais forem, quando não se materializam.

Sérgio Moro preparou meticulosamente a arena onde irá enfrentar Lula, inclusive com um adiamento – negado a Lula – que lhe permitiu levar uma chusma de acusados e condenados  loucos para mitigarem suas penas em troca de acusações genéricas, que dispensam documentos ou provas materiais, ficando no genérico “eu sei que ele sabia”.

Tanto esmero, porém, pode se voltar contra ele, porque abre a Lula a possibilidade de argumentar que foram coagidas a apresentar fantasias para que pudessem “merecer” a indulgência do juiz e do MP.

Moro deu ainda outro passo em falso, há dois dias, quando resolveu gravar um vídeo “convocando” os “apoiadores da Lava Jato”a não comparecerem a Curitiba. Tirando uma dúzia de fanáticos e os provocadores, não se sabe que manifestações seriam, mas seriam poucas.

O evento “Vigília pela Lava Jato”, promovido hoje à noite pelo MBL do Kim, tinha, no momento em que escrevo o post, 187 interessados e 127 pessoas confirmadas, isto no país inteiro.

A atitude de Moro foi tão pueril, expondo sua parcialidade que até o Merval Pereira deu-lhe um puxão de orelhas:

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“Ao utilizar o Facebook para um chamamento aos “apoiadores da Operação Lava Jato” para que não façam manifestações em Curitiba amanhã, dia em que Lula será interrogado, Moro deu margem a que os advogados do ex-presidente o acusassem de ter um lado no processo que julgará.”

Amanhã, o jovem juiz de modos autoritários vai enfrentar o velho político de jogo de espírito, acostumado com perguntas as mais agressivas, das quais a mídia jamais o poupou.

Lula sabe perfeitamente o que fazer, inclusive a hora de se indignar. Moro talvez, pela ânsia de culpa-lo, tenha dificuldades em não descambar para a grosseria e – se isso vai fazer vibrar os coxinhas, digo os “apoiadores da Lava Jato”, certamente irá empurrar mais gente para o crescente lado dos que acham que o juiz tem a ideia fixa de , a qualquer preço, condenar Lula.

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