Maior problema da Previdência é a falta de legitimidade para mudá-la

por Fernando Brito, Tijolaço

A Folha registra hoje pesquisa que aponta 71% de rejeição à reforma da Previdência.

Como sempre, porém, como tudo na Folha, o destaque vai para os “senões”, isto é, o apoio (embora não maciço) a regras especiais para algumas categorias profissionais.

Isto é uma bobagem, porque não existe um debate de boa-fé na reforma previdenciária e, portanto, tudo o que se pensa a respeito é marcado pelo seu maior vício de origem: a falta de legitimidade para realizá-la, com este governo que, de 4 a 9% de aprovação é objeto da repulsa generalizada.

A esta altura, a rejeição à reforma vai além de qualquer discussão técnica ou ponderação racional. Porque, como também expressa a pesquisa do Datafolha, generalizou-se a impressão – dois terços dos entrevistados enxergam esta verdade evidente, aliás – de que ela beneficia o empresariado, não o trabalhador.

A reforma começou feroz, pretendendo tirar tudo o que se podia e o que não se podia tirar dos trabalhadores – tal como se fez na degola trabalhista, aprovada na Câmara e fadada a cair, quase toda, no Senado.

Depois veio a fase do “aprovem qualquer coisa, desde que aprovem. N]ao é verdade que as concessões feitas pelo governo tenham “comido” só 20% do que se pretendia retirar da Previdência. Gente independente, que se debruçou sobre os cálculos, estima que a facada tenha sido reduzida à metade.

A única coisa correta a fazer seria retirar o projeto e reabrir, da estaca zero, as discussões com os sindicatos, associações e fazer o que não se fez: convencimento, em lugar de atropelamento.

Mas isso Temer não fará. Está construindo sua derrota e garantindo seu lugar no lixo da história.

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Quando não entendeu que estava ali transitoriamente e se apresentou como o reformador sem voto, Temer escolheu o caminho do fracasso.

E vai levar os tucanos que agarraram nele seus bicos.

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