O chilique da madame paneleira no Festival de Teatro de Curitiba

Cena da peça “Manual de Autodefesa Intelectual” (foto: Bob Sousa)

Publicado no Facebook de José Carlos Portella Jr.

Ontem no Festival de Teatro, na abertura da peça “Manual de autodefesa intelectual”, presenciei uma cena digna da República de Curitiba.

Enquanto a atriz Fernanda Azevedo fazia um discurso em prol das minorias violentadas na nossa democracia de fantoche, uma senhora curitiboca (pela arrogância devia ser moradora do Batel Soho) gritou da plateia que não tinha pago pelo ingresso para ouvir discurso político.

Aquilo parecia ter sido arranjado pela direção da peça, de tão escrota que foi a intervenção da senhora classe média-curitiboca-batedora de panela. Não podia acreditar que alguém pudesse ser tão arrogante a ponto de interromper uma artista no palco para vomitar sua indigência intelectual.

Depois de receber uma vaia da plateia, que gritava “fora” para a dileta madame arrogante, a atriz deu uma resposta à altura de quem já antecipava a hostilidade às artes e à política que viriam da cidade modelo de fascismo.

O que a madame não esperava é que a peça era toda, adivinha, política! O tema principal da peça era a manipulação das massas pela religião, pela publicidade, pela política institucional burguesa, pela imprensa e pelas redes sociais.

A coitada da madame levou uma sova de 2 horas de peça que tratava de POLÍTICA. O discurso vazio, arrogante e violento da madame (que “pagou pelo ingresso e logo teria que receber das ARTES aquilo que ela pagou”) é sintomático: a direita brasileira se transformou numa massa de gente odiosa, que apenas grita, que não reflete e que tem aversão à crítica (bom, basta ver a coluna da Gazeta do Povo que está circulando por aí chamando as universidades públicas de “hospícios de esquerdopatas”), que acha que o mundo circula entorno de seus umbigos sujos.

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Tente debater qualquer tema com a direita brasileira. Fica claro seu raquitismo de argumentos, sua pobreza até mesmo de vocabulário e sua fixação por um passado idílico de ORDEM que nunca existiu.

A peça tratou justamente disto: como a direita usa de paralogismos e pensamentos circulares para estruturar um discurso de pura falácia e justificar todo tipo de violência real e simbólica contra quem eles entendem que merece desaparecer ou perecer.

Quem nunca se deparou com as seguintes pérolas da direita: “Freixo critica a violência policial, mas pediu escolta da polícia. Logo, Freixo é um hipócrita”. “Se a opinião pública não lamenta a morte de policiais, por qual razão lamentar a morte da Marielle?” “Você critica a lava jato, logo você apoia a corrupção”. “Você critica o auxílio moradia dos juízes, logo você é invejoso”.

Não precisa estudar tratados de lógica para perceber como as conclusões da direita são de uma indigência sem par.

Não à toa a “elite” curitibana irá votar no Bolsonaro, mesmo sendo mulher e LGBT. Ontem tive a exata dimensão do que a ignorância é capaz: fez uma madame do Batel Soho sair de casa para assistir a uma peça sobre manipulação de massas e atacar a atriz que justamente mostrava pela linguagem artística como a manipulação gera o ódio às minorias.

A decadência da República de Curitiba ali, ao vivo e em cores.

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