O dilema de Temer, o da moita: como fazer “a ida dos que não vão”?

por Fernando Brito, Tijolaço

Os levantamentos da Folha e do Estadão, comentados ontem aqui, que mostraram que nem 10% dos deputados assume abertamente que irá votar contra a admissão da denúncia de corrupção feita sobre Michel Temer abre o ridículo impasse a que no “novo” Brasil, aquele onde as instituições funcionam.

É verdade que a oposição a Temer precisa colocar 342 votos no plenário e isso, se o bambu do Dr Rodrigo Janot não vier com novas flechas, não há.

Mas vai ser um vexame vencer graças a um esvaziamento do plenário onde se criará a estranha situação em que um time ganha por WO com a sua própria ausência.

Aliás, a metáfora esportiva foi muito bem usada hoje por Luiz Costa Pinto, em artigo no Poder360, para mostrar que há cada vez menos expectativa de que Temer chegue ao final da temporada:

Michel Temer já não projeta mais futuro para seus aliados na Câmara e isso sequestra votos na planilha governista. Recordista de impopularidade, desacreditado, denunciado e deprimido, o que poderá oferecer em troca de almas dispostas a imolar as próprias perspectivas eleitorais? Nada. Falhou a tentativa de cansar os adversários e fazer a torcida se convencer de que o melhor era decretar a série de embates vencida pelo lado que havia posto a bola em jogo, ou seja, o governo atual. Já não há mais aderência à tese de que “o Brasil não suportaria nova troca de poder”. Levantamentos internos do Palácio do Planalto, cruzados com relatos de aliados, dão conta da ânsia por mudar algo central – no caso, o governo – para só então levar a sociedade a adotar o discurso de chegar às urnas de 2018 e eleger novo projeto.

Não haverá vasos de plantas ou folhagens para esconder o voto dos deputados que terão, do microfone, de dizer que a mala de dinheiro carregada por Rodrigo Rocha Loures, logo depois de indicado por Temer para “tratar de tudo” com Joesley Batista é algo que não vem ao caso.

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Temer se sustenta em bases para lá de instáveis. Um PSDB que lhe diz “por enquanto”, um fiapo de equilíbrio de economia que a queda de arrecadação e a já evidente incapacidade de cumprir a “santa” meta fiscal (“santa” que já é leniente com um déficit de R$ 140 bi) e os avisos das agências de classificação de risco, com toda a esperança de dar-lhe sobrevida, de que a nota de crédito do Brasil será rebaixada, como faz a Moody’s, hoje.

Seu problema, ao correr com a apreciação do pedido de licença para processá-lo é que a maioria de que ainda dispõe, tal como ele, precisa de uma folhagens para se esconder de vergonha do que faz.

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