O PSDB saiu do governo, mas o governo não saiu do PSDB

por Alex Solnik, Brasil 247

O PSDB é uma esfinge que ninguém decifra.

Nos meses e nos dias que antecederam a convenção do último domingo, a grande questão que dominou todos os debates internos foi o desembarque do governo Temer.

Não era mais possível continuar participando de um governo tão desastrado, tão nefasto à população e aos interesses nacionais e com tanta rejeição popular.

O objetivo não declarado era ficar o mais longe possível de Temer. Continuar a seu lado fazia mal e poderia comprometer a campanha presidencial de Alckmin.

Mas eis que chega a convenção e Alckmin, coroado presidente do partido, em vez de criticar o governo da pinguela e deixar claro para a população que não compactua com o balcão de negócios em que esse governo se tornou, cai de pau no PT que não tem nada a ver com a briga dos tucanos com os peemedebistas.

Vai entender!

Se Alckmin concorda com a agenda reformista e antipopular de Temer, não dá para dizer que rompeu com ele, mesmo que dois ministros tucanos já tenham saído.

Se não faz crítica alguma ao comportamento ético do governo é porque o aprova e acena com a possibilidade de uma coligação em 2018.

Alckmin admitiu, implicitamente, que nem o PSDB nem o PMDB sozinhos poderão derrotar o PT. A aliança continua. O discurso ético dos tucanos está definitivamente comprometido.

O PSDB saiu do governo, mas o governo não saiu do PSDB.

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