O que fica claro com o fim dos bloqueios

por Fernando Brito, Tijolaço

A relativa facilidade com que tropas das Policias Militares e do Exército estão retirando caminhões-tanque das refinarias e bases de distribuição de combustível é o melhor sinal de que nada foi mais grave nesta crise que a inação e a demora em determinar as providências básicas para garantir o funcionamento dos serviços essenciais por parte do Governo Federal.

Na cobertura dos jornais, fica patente que os manifestantes não estão opondo resistência à saída de caminhões para abastecer hospitais, forças policiais e mesmo serviços de ônibus, como foi o caso do BRT do Rio de Janeiro, que voltou a circular com parte da frota.

Certo tipos de tigre, quando enfrentados, revelam-se de papel.

Não quer dizer que a situação esteja perto de voltar ao normal, porque não há sinal de que o abastecimento de combustíveis, tão cedo, volte a se tornar disponível para a maioria da população.

O que ficou claro, isto sim, é que estamos diante não apenas diante de um rebotalho de governo, falido em capacidade e em autoridade, que não tem condições de cumprir, minimamente, os seus deveres e que, nos últimos tempos, só tem como muletas as Forças Armadas.

Ficou evidente, também, que – ao contrário do que faz em manifestações de outros setores – o recorte ideológico dos grupos que protestavam fez com que as forças policiais usassem a opção preferencial pelo diálogo e não pelo cassetete. Longe de defender bordoadas nos caminhoneiros, é preciso apontar esta diferença, porque tornou-se, há tempos, jogar bombas e spray de pimenta o padrão de operações policiais no Brasil.

A terceira observação clara é a de que a máquina ideológica que transforma o imposto em algo monstruoso, enquanto o que nos devora é o rentismo e a goela de lucros e acumulações de capital que nos devora.

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A criminosa política de preços da Petrobras, operando como quem compra e vende bananas na feira, foi tratada como algo sacrossanto, apesar da sua evidente inadequação à vida econômica.

E como se atua irresponsavelmente no corte de recursos públicos que, por força de serem engolidos por esta voragem, faltam para os investimentos, sociais e econômicos, que nos poderiam devolver a uma situação de equilíbrio.

Por último, tornou-se escancarado que a democracia e o funcionamento normal do país não têm como enfrentar um bombardeio de mídia que cria, em poucas horas, um clima de terror, de corrida aos postos, esgotando estoques e semeando a sensação de caos.

O excesso de Globo é pior do que a falta de combustíveis.

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