O significado do beijo que Chico Alencar depositou na mão do Mineirinho

O combativo Chico
por Paulo Nogueira, DCM

Poucas coisas são mais ridículas do que beijar as mãos de alguém que não seja seu avô, sua avó ou coisa parecida.

Agora: quando o beijador é Chico Alencar e a mão beijada é a de Aécio, ridículo é uma palavra insuficiente para descrever a cena.

A circunstância em que se deu o beijo também é ridícula: a festa de 50 anos de jornalista de Ricardo Noblat.

Ora, ora, ora: que sentido existe em comemorar 50 anos de batente? A quem interessa se Noblat tem 30, 40 ou 50 anos de jornalismo?

Mas enfim: Chico Alencar estava lá, entre golpistas de todo tipo, a começar por Temer.

E ele escolheu Aécio para o beija mão. Justo Aécio, o mau perdedor que desencadeou a sabotagem ampla geral e irrestrita de Dilma.

Ao se recusar a admitir desde o primeiro instante a vitória de Dilma, Aécio fez jus ao histórico título de Golpista Número 1.

Aécio fez toda a sua campanha à base de combate à corrupção, e hoje se sabe que ele praticava em larga escala exatamente aquilo de que ele acusava histericamente Dilma.

Aécio é citado em várias delações, o que o tornou um símbolo do cinismo com que a plutocracia usou a corrupção para incinerar 54 milhões de votos e derrubar Dilma.

Que Moro, numa festa, fique quase que de rosto colado com Aécio, ainda dá para entender, dadas as biografias de ambos. Mas Chico Alencar beijar as mãos de Aécio?

A única serventia do beijo foi mostrar aos brasileiros como é promíscuo e hipócrita o poder em Brasília. Como metáfora, o gesto de Chico demonstrou a vassalagem deslumbrada da esquerda brasileira diante da plutocracia.

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Quanto ao homenageado, evoco mais uma vez um dos maiores jornalistas da história, Joseph Pulitzer.

Uma das máximas essenciais de Pulitzer era a seguinte: jornalista não tem amigo.

Isso porque a amizade influencia a cobertura que você faz de assuntos em que seus amigos estejam metidos.

Noblat, na festa, tratou sua amizade com Temer como se fosse um troféu. Na verdade, as imagens de Noblat com Temer na festa são tão vergonhosas e tão infames quanto o beijo que Chico Alencar depositou na mão do Mineirinho.

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