Pobres com Lula; ricos com Bolsonaro. É o que a mídia conseguiu

por Fernando Brito, Tijolaço

O artigo de  André Singer, hoje, na Folha, joga luz sobre algo que desaparece nos números brutos da pesquisa Datafolha sobre intenção de voto presidencial em 2018, para as quais me chama a atenção meu amigo Hayle Gadelha, publicitário especializado em questões eleitorais.

Lula passa de 30 para 39% entre os eleitores com renda até dois salários mínimos, que representam quase a metade da população (45%, exatamente), entre duas pesquisas do instituto (dezembro e abril).

O único outro candidato a crescer, Jair Bolsonaro, dá um impressionante salto de mais 16% entre os eleitores com renda superior a 10 salários, passando de 12% para 28%, mais de um quarto dos eleitores mais bem remunerados, que representam 4% do eleitorado.

Arredondo o número de eleitores brasileiros para 100 milhões, para facilitar o que se vai demonstrar.

Lula ganha 9% de 45 milhões de eleitores mais pobres. Ganhou, portanto, mais 4 milhões de votos, desde a última pesquisa: agora são 17,55 milhões que tendem a lhe dar o voto, neste universo.

Bolsonaro tem mais 16% entre os 4 milhões de eleitores mais abastados, um ganho de 640 mil votos, o que lhe dá um total, nesta parcela, de um milhão e cem mil votos.

Contrastando: o eleitorado de Lula cresceu 4 milhões; o de Bolsonaro, o “mito”, em 640 mil.

Claro que há outros 50 por cento do eleitorado a disputar e Bolsonaro revela uma musculatura cada vez mais preocupante.

Mas há, como observa Singer, sinais de que os  mais ricos agora não se mobilizam pelo PSDB.

Embora eu não creia na viabilidade política do  adiamento das eleições, o “jabuti” colocado no mais alto galho da política, creio que isso pode ser o caminho de uma configuração da disputa política.

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Não é possível “cravar” a aposta, mas não acho que o desequilíbrio destas forças  que se reorganizam vá deixar de testar o risco da prisão de Lula.

Ou que João Doria, como preveem os muitos anos de janela política do jornalista Luís Costa Pinto, possa deixar os tucanos amarrados a um naufragante Temer e tentar uma aventura “solo”.

A “falecida” classe média ascendente pode ditar o destino do processo eleitoral. Pode pretender voltar à vida com um “eu era feliz e não sabia” ou pode, na sua mesquinha morbidez, agarrar o país e nos conduzia ao inferno que lhe povoa a mente.

A mídia construiu um exército de zumbisachandi que este lhes serviria obedientemente.

Serviu, sim, mas ameaça agora ter vida própria.

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