Provas. Sem isso, delações são um nada. E são um crime

por Fernando Brito, Tijolaço

Na mais recente e escandalosa delação premiada – e, neste caso, mais que em outros, premiadíssima -, só haverá sentido se houver o que está começando a aparece e, até agora, tem faltado na maioria delas: as provas do que se diz.

É que a delação de Joesley Batista, um bandido como têm se mostrado ser a nova “safra” de ricos neste país, já vieram à tona as malas de dinheiro e as gravações sorrateiras que dão materialidade aos negócios de Michel Temer e de Aécio Neves. Ainda que com grau de armadilha patente, ficou evidente que havia ratos ao alcance da ratoeira.

De fato, depois do encontro sorrateiro no Palácio do Jaburu, do “tem de manter isso”, da mala de Rocha Loures, do pedido de R$ 2 milhões e das mochilas do Fred, não há como deixar de se crer,em princípio, que há verdades  no que diz Joesley de suas relações com “o número 1” e o “número 2”.

Porque, claro, há provas, fatos que de outra maneira não se poderia ver e ouvir.

De mais sobre isso e de tudo sobre todo o resto, é de se esperar que as provas não faltem para justificar tamanha boa vontade do Ministério Público com os criminosos da JBS que, até pela natureza de qualquer negócio corrupto, dá aos corruptores vantagens maiores do que aos corrompidos.

Afinal, como observa Tales Faria em artigo no Poder360, “é este o princípio da delação premiada: tem que se comprovar“.

Princípio que anda muito distante do que vivemos com as histórias de “cognição sumária”, “domínio do fato” e “temos convicções”.

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E que nos levou a esta terrível situação de vivermos de escândalo em escândalo e transformar acusações em condenações e ladrões em santos.

Se Guido Mantega ou um assessor palaciano dos tempos do Governo do PT tivesse sido filmado arrastando malas de dinheiro, sem dúvidas não caberia fazer acusações centradas no PMDB. Mas não foram e ,nem mesmo na enxurrada de podridões que despeja em sua fala à Época, Joesley Batista não tem  uma acusação direta ou indireta a fazer a Lula.

Não pode pretender Michel Temer  se defender com alegações de que o ex-presidente foi “protegido”, até porque se sabe a sanha ansiosa com que os procuradores buscam evidências ou suposições contra ele.

As malas e gravações sustentaram o longo mês de suspeitas que estamos vivendo. Mas estão longe de bastar e é preciso que venham logo as provas, que não podem ser escondidas num jogo de gato e rato, que permite ao rato virar  gato e faz, pela atitude de roer a honra alheia sem as exibir, faz o gato virar rato.

Não precisamos e não queremos que, seja contra quem for, Brasília vire uma Curitiba.

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