PSDB, o Partido do Bocão, vai cair junto com Temer porque o golpe é deles

Um dos argumentos mais usados pela direita golpista no Brasil para tentar rebater a acusação de golpe contra Dilma Rousseff é: por que em 1992, na queda do Collor, era impeachment e agora é golpe?

As diferenças são muitas.

A primeira delas é que, contra Dilma, não havia crime de responsabilidade.

Ou alguém ainda acha que as pedaladas fiscais – uma prática comum entre os governantes – eram motivo justo?

Não se pode esquecer que o relator do processo de impeachment no Senado foi uma cria de Aécio, Antonio Anastasia.

Em 1992, depois que Collor caiu, o PT, que estava na linha de frente das investigações contra o então presidente, recusou os convites para fazer parte do governo de Itamar Franco.

Esta é a diferença básica entre os dois acontecimentos.

Já em 2016, o PSDB usou a queda de Dilma para chegar ao poder que o povo, consultado nas urnas, tinha lhe negado.

Os tucanos foram para o poder, com apetite, como ficou claro na delação do empresário Joesley Batista, que mostra como Aécio, derrotado nas urnas, se comportava como o todo poderoso do governo Temer.

Por isso, hoje os brasileiros têm que conviver com um Aloysio Nunes Ferreira conduzindo a política externa.

Ou o Bruno Araújo liberando verbas milionárias para projetos habitacionais ou de saneamento.

Nos direitos humanos, está a Luislinda Valois e, na Secretaria de Governo, coração da presidência, está Antônio Imbassahy.

Sem contar que foi para o Supremo Tribunal Federal o apadrinhado do governador Geraldo Alckmin, o tucano Alexandre de Moraes, este um estrago de longuíssimo prazo.

Os tucanos estão espalhados pelas estatais, BNDES e segundo escalão do ministério de Temer.

Seus aliados históricos, como o DEM, ex-PFL, também dão as cartas em áreas centrais do governo brasileiro, como Mendonça Filho, na Educação.

Todos chegaram ao poder depois que seu candidato, Aécio Neves, foi derrotado nas urnas.

Como isso é possível?

Com um golpe.

Um golpe que não existiria não houvesse o apoio de primeira hora dos veículos de comunicação, Globo à frente, e da tibieza do Supremo Tribunal Federal.

O PSDB e seu aliado preferencial, o DEM, saíram da oposição para a situação.

Sem voto.

E o PSDB conseguiu uma boquinha no governo.

Boquinha, não.

Bocão.

Por isso, agarrado ao poder depois de um golpe, não saíram do governo, mesmo depois do flagrante que mostra o líder do golpe em conluio com um grande empresário, para obstruir a Justiça.

Nem sairão tão facilmente.

Afinal, o golpe é deles.

A presidência sob Temer não existiria sem os tucanos.

Esta é a razão pela qual o mais tucano dos jornalistas, Reinaldo Azevedo — a operação Castelo de Areia é um problema para ele – começa a escrever a lorota de que Temer é vítima de uma conspiração.

Errado.

Temer não é vítima de nada.

Ele está caindo por seus próprios crimes.

E, quando cair, deve levar junto o Partido do Bocão.

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