Queda da indústria é o dobro do que mercado esperava

por Fernando Brito, Tijolaço

A queda de  1,8% da produção industrial brasileira, em março, registrada pelo IBGE na pesquisa divulgada hoje, é o pior resultado da indústria para março desde 2002, início da série histórica.

Estimativas de 23 analistas consultados pelo Valor esperavam de recuo médio de 0,9%; já os analistas ouvidos pela Reuters previam queda de 1% no volume da produção.

O dobro, portanto, da queda esperada.

Janeiro e fevereiro tiveram, respectivamente,  queda de 0,4% em janeiro e variação nula (0,0%), sempre em relação ao mês anterior.

O resultado só não foi pior porque petróleo e minério de ferro tiveram expressivos aumentos em seus preços internacionais em março, o que já se reverteu em abril.

O IBGE admite que o desemprego é a chave maldita que nos mantem trancados na crise. À Reuters, o economista do Instituto,  André Macedo, diz que “o mercado doméstico ainda tem dificuldade com o número elevado de desocupados, com o rendimento desfavorável, com o comprometimento de renda e a inadimplência”.

A retomada da economia só existe, mesmo, mas declarações de empresários e investidores, ávidos pelo que vai lhes sobrar de uma eventual aprovação das leis trabalhistas e da Previdência.

Natural: como ganham mais dinheiro especulando do que produzindo, produzir não é sua maior prioridade.

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