Senadores que apoiaram golpe agora são “independentes” e ameaçam reformas de Temer

Senadores Ronaldo Caiado (DEM), Ana Amélia (PP) e Álvaro Dias (PV)

por Patricia Faermann, GGN

Diversos senadores que defenderam o impeachment de Dilma Rousseff com sua saída do governo e que, até há pouco, apoiavam o mandatário Michel Temer anunciaram “independência” do governo peemedebista. Na lista, estão nomes como a inflamada adepta ao impeachment, Ana Amélia (PP-RS), o senador que chamou o governo Dilma de “incompetente”, Alvaro Dias (PV-PR), o que criticou as acusações da Lava Jato no PT, Lasier Martins (PDT-RS) e o senador que apostou em um futuro com Temer, Cristovam Buarque (PPS-DF).

Em seu discurso final a favor do impeachment, no dia 30 de agosto de 2016, Ana Amélia criticou duramente o governo Dilma e Lula, afirmando que ambos “não tinham um projeto de país, mas um projeto de poder” e que o “verdadeiro golpe foi contra milhões de brasileiros desempregados”.

Á época, durante a defesa da ex-presidente Dilma Rousseff no Plenário do Senado, a petista afirmou que as críticas da senadora eram vazias diante do fato de que o governo então interino, de Michel Temer, chegava ao poder sem votos.

Quase um ano depois, Ana Amélia mostra-se orgulhosa de “não ter nenhum vínculo ou dependência do governo”. Dizendo-se “independente”, afirmou no Plenário da Casa que tem “muita tranquilidade” de anunciar o seu distanciamento de Temer, ainda que tenha o ajudado a assumir efetivamente o Planalto em agosto do ano passado.

Naquele mês, Cristovam Buarque (PPS-DF) tentava se proteger, ao afirmar no discurso favorável ao impeachment que não estava apoiando o governo do peemedebista. Mas apostava as fichas: “Espero que o presidente Temer cumpra seu compromisso de recuperar a estabilidade monetária. Eu voto não olhando o passado, mas sobretudo o futuro. Não estou mudando de lado, estou dando um passo à frente. Estou avançando. (…) Quero ajudar a recuperar as forças progressistas. Estamos fazendo o impeachment não só de Dilma, mas de uma esquerda velha.”

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Agora, como se seus votos não tivessem sido dados a favor de Temer, disse: “Fica este apelo de todos que falaram hoje (anteontem) aqui em plenário ao presidente Eunício Oliveira (PMDB-CE): convoque uma reunião e vamos conversar sobre como sair da crise”, convidando os senadores contrários ao peemedebista.

Da mesma forma, Acir Gurgacz (PDT-RO), Lasier Martins (PDT-RS), Alvaro Dias (PV-PR) e Reguffe (sem partido–DF) defenderam a queda de Dilma Rousseff, admitindo automaticamente a entrada definitiva de Michel Temer no comando do país até 2018.

“O que há é a consagração da incompetência. […] Esse é um governo fracassado. Fracassou politicamente, fracassou administrativamente e tem que ser substituído imediamente”, havia discursado Alvaro Dias, que agora se soma aos “independentes”.

O enfraquecimento da base aliada do mandatário peemedebista no Congresso assumiu força após a divulgação da delação premiada do empresário Joesley Batista, da JBS, há mais de um mês, abrindo inquérito contra Michel Temer por obstrução à Justiça e corrupção passiva.

Nesta semana, o relator do processo do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu o prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República apresente denúncia com indícios levantados pela Polícia Federal. O procurador, Rodrigo Janot, deve enviar a peça até a próxima quarta-feira (28).

Na lista dos partidos aliados, mas que não formavam a estrutura do próprio governo, ainda amedrontam a governabilidade do Planalto outros senadores, integrantes de partidos mais próximos e que possibilitaram a aprovação de diversas medidas econômicas de Michel Temer no Congresso.

São os chamados “insatisfeitos”. Além do próprio líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), que se mostrou descontente com o mandatário, desde o envio das primeiras propostas que afetam diretamente direitos sociais, surgem agora os nomes do líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), e os tucanos Eduardo Amorim (SE), Ataídes Oliveira (TO) e Ricardo Ferraço (ES).

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O principal impacto dessa insatisfação deve ocorrer na reforma trabalhista. Levantamento feito pelo site Poder360, dos 23 dos 80 senadores em exercício são contra o projeto e, pelo menos, 29 querem modificações no texto que está tramitando. São apenas 30 os que disseram ser favoráveis ao projeto da reforma como está, outros 21 senadores não se manifestaram.

O envio da denúncia da PGR contra Temer até a próxima quarta pode influenciar, ainda mais, no resultado da proposta de reforma trabalhista no Senado, que terá o relatório votado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) ainda na quarta-feira.

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