Sociedade Civil volta à cena e lança projeto

por Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

De volta à cena nacional, a chamada Sociedade Civil coloca na rua nesta nesta quinta-feira o “Projeto Brasil Nação”.

Vai ser às 18 horas, na Faculdade de Direito da USP, no lendário Largo São Francisco, de tantas glórias e tradições, em São Paulo.

Há tempos não se ouvia falar deste movimento cívico e suprapartidário que se notabilizou na Campanha das Diretas, durante a luta pela redemocratização do país no início dos anos 1980.

O manifesto organizado pelo economista Luiz Carlos Bresser Pereira, ex-tucano que foi ministro de Sarney e FHC, já conta com mais de oito mil nomes e é assinado por várias personalidades daquela época.

O texto do documento não se limita a criticar as políticas econômica e social do atual governo, mas propõe medidas concretas como a redução dos juros e do superavit primário para estimular o crescimento.

Ao contrário do que aconteceu em 1984, quando a Folha de S. Paulo liderou a Campanha das Diretas na imprensa (e eu fui escalado pela direção para fazer a cobertura), desta vez o jornal publicou apenas uma notinha tímida em meio ao noticiário sobre a Lava Jato, sob a rubrica “Evento”.

Abriu, porém, um espaço na nobre página A3 para publicar o artigo da jornalista Eleonora de Lucena, que já foi uma competente chefe de redação do jornal.

Sob o título “Projeto Brasil Nação”, o nome dado ao manifesto, ela faz duras críticas ao atual governo, em que resume o caráter do documento.

Como desta vez não participei das articulações e não acompanhei a elaboração do manifesto, reproduzo abaixo alguns trechos do artigo da minha ex-chefe:

“Passado um ano do início do processo de impeachment, o país está bem pior. Sob o governo golpista, retrocedeu anos. A meta dos mandantes parece ser voltar à República Velha, destroçando conquistas sociais e submetendo abertamente o país a interesses externos”.

Leia::  Uma sentença resume a decadência. Por Paulo Nogueira Batista Jr.

“Aturdida, a população assistiu à avalanche de prepotência, arrogância e desrespeito. Agora, começa a reagir com mais força. Sindicatos e movimentos sociais atuam de forma mais ativa e suas mobilizações repercutem na sociedade”.

“Nesse quadro, intelectuais, artistas, empresários, profissionais liberais, cientistas, sindicalistas e lideranças dos movimentos sociais resolveram falar”.

“O documento recupera os objetivos gerais que cimentam a sociedade brasileira: democracia, soberania, diminuição da desigualdade, desenvolvimento, proteção ao ambiente. Esboça propostas econômicas e conclama ao debate para a formulação de um projeto de nação com autonomia e inclusão”.

O lançamento do “Projeto Brasil Nação” coincide com a greve geral contra as reformas do governo marcada para esta sexta-feira, mostrando que, após um longo período de hibernação e perplexidade, algo está se movimentando fora dos gabinetes, plenários e tribunais de Brasília.

Esta última semana de abril de 2017 poderá ser lembrada pelos historiadores do futuro como um divisor de águas, a exemplo do que foi o Comício das Diretas Já, na praça da Sé, em janeiro de 1984, na travessia da ditadura para a democracia.

Trinta e três anos depois, o Brasil está novamente diante de uma encruzilhada: para onde vamos?

E vida que segue.

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