“Suruba é para todo mundo”, defende Jucá

por Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

“Se acabar o foro, é para todo mundo. Suruba é suruba. Aí é todo mundo na suruba, não uma suruba selecionada”.

Depois de fazer uma veemente defesa do foro privilegiado em discurso na tribuna do Senado, na segunda-feira, o líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR) deu a declaração acima em entrevista ao Estadão, resumindo seu pensamento.

Em seu discurso, Jucá fez comparações históricas do momento atual com o período da Inquisição, a Revolução Francesa e a época do nazismo. “Hoje, quem tenta fazer linchamentos não é a turba, é a imprensa e setores da sociedade”.

Foi uma reação à tentativa de ministros do STF de restringir a prerrogativa do foro privilegiado de políticos.

Na semana passada, enquanto Jucá tentava dar isonomia de tratamento aos presidentes da Câmara e do Senado, o ministro Luis Roberto Barroso encaminhou ao plenário proposta para reduzir o alcance da prerrogativa de foro de deputados, senadores e ministros.

O líder do governo, alvo de vários inquéritos no STF, que já propôs “estancar a sangria” da Lava Jato, “com o Supremo, com tudo”, garantiu que vai até o fim na defesa dos privilégios dos parlamentares.

“Não vou me acovardar, não vou me apequenar e vou exercer o meu mandato aqui na plenitude, fazendo os enfrentamentos que eu entender que devo fazer, sem ter medo. Medo é uma palavra que eu não conheço”.

Em outro trecho, lançou um desafio ao Judiciário e à imprensa:

“Quero aqui dizer, com muita tranquilidade, aos meus adversários e a quem quer me marcar com uma estrela no peito: eu não vou morrer de véspera, eu não me entrego, eu sei o que eu defendo, eu sei o que fiz, e eu sei o que vou fazer”.

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Ao comparar o foro privilegiado a uma suruba, Jucá verbalizou o que muitos parlamentares no Congresso Nacional também pensam e defendem, mas não dizem.

O Palácio do Planalto não se manifestou sobre as declarações do seu líder no Senado e ex-ministro do Planejamento, que caiu logo no início do governo por conta das gravações do delator Sergio Machado, em que Jucá defendia o impeachment.

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