Thank you, jet Wash Buddys

Os EUA agradecem, penhoradamente, o fim da influência brasileira na América Latina.

por Mauro Santayana, Blog: Mauro Santayana

Estão muito enganados aqueles que acreditam que o neo-isolacionismo dos EUA quer dizer que, sob Trump, os Estados Unidos ficarão indiferentes ao que ocorre na América Latina.
O discurso de construção do muro separando fisicamente o Texas, o Novo México, o Arizona e a Califórnia,  do país dos quais foram arrancados, à ponta de fuzis e baionetas, no século XIX, e a pressão para que as fábricas – norte-americanas ou não – que estão no México, abandonem o sul do Rio Grande e levem seus empregos e instalações para os Estados Unidos, caso queiram continuar vendendo para o maior mercado do mundo, mostram que, se pudesse, o Grande Irmão do Norte gostaria de voltar a transformar, pejorativamente,  os latino-americanos e caribenhos em um bando de índios semi-escravos e analfabetos, produtores e exportadores de insumos e matérias-primas que não pudessem ser obtidos nos EUA, como café e  bananas, por exemplo.
Dentro dessa visão trumponiana, condizente com a aversão do topetudo líder ruivo pela globalização, e com o espírito de fazer “a América grande  novamente” (que não será alcançado sem o acirrramento da competição geopolítica e o apequenamento de atuais e potenciais concorrentes), o enfraquecimento de seu quintal histórico, com a sabotagem das tentativas de integração continental, principalmente na América do Sul; e o do prório Brasil, de longe o país mais poderoso da região, devem ser vistos como uma meta estratégica que, mesmo que seja eventualmente tratada com certa discrição – o que parece não ser o caso, por arrogância e descaro  – será da maior importância, para a “Nova América”, nos próximos anos.
Com o fracasso do mal acabado factoide da Aliança do Pacífico, e o contínuo empobrecimento do México após a entrada em funcionamento do NAFTA, vide O MÉXICO E A AMÉRICA DO SUL, a diplomacia brasileira criou,  depois da eleição de Lula,  para além do BRICS (e do Mercosul, que já existia) – alternativas aos ditames e à influência norte-americana na região, com a implementação  da CELAC, a Comunidade dos Estados da América Latina e do  Caribe, que quebrou o isolamento de Cuba; da UNASUL, União das Nações da América do Sul, cuja belíssima sede fica em Quito, no Equador; e, principalmente, do ponto de vista estratégico, do Conselho de Defesa da América do Sul, embrião de programas de cooperação, na área bélica, entre os países do nosso continente e de uma futura força de defesa sul-americana.
Hoje, vários de nossos programas bélicos se encontram interrompidos e sob ameaça de sucateamento, assim como vários dos projetos de infraestrutura e energia iniciados nos últimos anos, dentro e fora do país, graças à vigência  de uma Jurisprudência da Destruição que poderia, em seus efeitos,  equiparar-se perfeitamente a uma eventual operação, teleguiada do exterior, dirigida para a sabotagem  da nossa segurança externa e  da engenharia e defesa nacionais.
E nossas empreiteiras, antes vistas como um exemplo da capacidade de cooperação e realização da gente latino-americana, são comparadas a covis de ladrões, originários de um país não confiável, cujo Governo e Poder Judiciário, com a suspensão dos financiamentos do BNDES para a exportação de serviços por empresas brasileiras, quebram, e não respeitam ou garantem, contratos internacionais anteriormente firmados.
Com isso, mulltiplicam-se as deletérias e nefastas consequências de uma operação que, em busca de recuperar 3% de dinheiro supostamente desviado de gigantescos programas e projetos de desenvolvimento, destrói e joga no lixo os outros 97% das obras, e praticamente 100% das empresas responsáveis por elas, com a imposição de multas “civis” de cunho subjetivo, paralisantes, inviabilizantes, da ordem de bilhões de dólares,   não apenas no Brasil, mas, por meio de uma maré de ataques, desmanche, desemprego, crise, também em outros países, espalhados por todo o continente.
Ora, a corrupção existe, e, infelizmente, continuará existindo, em todos os países do mundo, enquanto não se investir forte e permanentemente, desde a mais tenra infância – o que é praticamente impossível,   quase contraditório, nos países capitalistas – na  formação ética da população.
A diferença é que há países em que existe corrupção que são bem sucedidos, em que existe planejamento e projeto de nação, tanto para o desenvolvimento e a melhora constante das condições de vida da população, quanto para o seu fortalecimento com relação a outras nações.
E há outros, em que existe corrupção, em  não há um projeto nacional, e a necessidade desse projeto ou as eventuais tentativas de implantá-lo são ofuscadas e combatidas por “bandeiras” e factoides demagógicos e hipócritas – entre eles o da própria luta contra a corrupção – levantados  por setores  a quem falta uma visão nacional e histórica – voltados tanto para a implementação da defesa e manutenção de seus interesses e privilégios – como é o caso do Judiciário e do Ministério Público, no Brasil, neste momento – quanto para interferir na questão política, na eventual derrocada de um determinado governo, que não se consegue derrubar pelo voto, ou no sentido da ascensão ao poder de movimentos nascidos no bojo da quebra da normalidade institucional, que – como ocorreu na Alemanha e na Itália, entre as duas grandes guerras – costumam ser de tendência  conservadora, autoritária e fascista.
O que distingue grandes nações das pequenas, é a existência de uma aliança entre o setor público e o privado – até mesmo em países comunistas, como a China – não apenas para assegurar o desenvolvimento interno, mas o sucesso na competição externa, na disputa de influência no mundo, por meio da implementação, em terceiros países, de projetos de cooperação e desenvolvimento.
Para isso, no plano da microeconomia, existem agências como a ABC, Agência Brasileira de Cooperação, e a famigerada USAID, norte-americana, que tão útil foi para os EUA, durante a Guerra Fria, e uma infinidade de outras organizações, de países  como o Japão, a França e a Alemanha, e de instituições como a União Européia, dedicadas à cooperação técnica e à ajuda humanitária.
E, do ponto de vista macroeconômico,  poderosos bancos de fomento e  empresas de engenharia, capazes de viabilizar a construção de grandes projetos de infraestrutura e de desenvolvimento, que podem mudar, decisivamente, o destino de pequenos países, assegurando, se não sua amizade eterna, ao menos laços concretos, baseados no interesse mútuo, que os impeçam de se transformar em inimigos do país que está promovendo a iniciativa.
Foi isso que os EUA fizeram, com o Brasil, como forma de assegurar nosso apoio na Segunda Guerra Mundial, com a construção da Companhia Siderurgica Volta Redonda, no Rio de Janeiro.
Ou a Alemanha fez, também conosco, no segundo governo Vargas, com a construção em Minas Gerais, da Manesmann, ou, no governo Geisel – contraa a vontaade dos EUA – por meio da assinatura do projeto nuclear Brasil-Alemanha.
Assim como foi isso que o governo militar fez, no contexto da competição com a Argentina, na Bacia do Prata, com a construção de Itaipu, cujas primeiras negociações começaram no governo Jango, e das quais participei, trabalhando com o embaixador Mário Palmério, na embaixada do Brasil em Assunção, na década de 1960.
O Brasil precisava da energia de Itaipu?
Sim, ninguém contesta isso.
Mas poderia ter feito uma série de barragens com igual capacidade em território nacional.
Terra e água não nos faltavam, como não nos faltam, para isso – vide aí a recente conclusão em território nacional, de Belo Monte, a terceira maior usina hidrelétrica do mundo.
Itaipu foi feita para ligar o futuro do Paraguai ao do Brasil, embora a Argentina não demorasse a adotar estratégia semelhante, com a construção de Yaciretá, sua própria usina binacional com a nação guarani.
Foi a construção de Brasília, de usinas como a de Três Marias, de rodovias como a Belém-Brasília, no Governo Juscelino Kubitscheck, seguida de um vasto programa de obras, pelo governo militar, algumas delas, em suas consequências, polêmicas e desastrosas, como a Transamazônica, que deram origem à moderna engenharia nacional.
E nos permitiram, depois, na África, em países árabes como a Mauritânia e o Iraque, no sul dos Estados Unidos, notadamente a Flórida, no Caribe – vide o Porto de Mariel, em Cuba – na África subsaariana, em países como Angola e Moçambique, e em várias partes da América Latina, do México à Argentina, projetar nossa influência e participar de projetos e programas determinantes, não apenas no interesse de cada país, como a hidrelétrica de Guri, na Venezuela, mas também em iniciativas binacionais ou multilaterais.
Estabelecendo, como o maior país da região, o papel de líder, financiador e executor da integração e cooperação continental na América Latina e, principalmente,  na América do Sul.
Ora, até mesmo para não alertar nossos competidores de fora do continente, e nossos inimigos aqui dentro, não era preciso estabelecer nem divulgar aos quatro ventos essa doutrina, de evidente importância geopolítica, por meio de um manual oficial ou de guias diplomáticos.
Durante décadas, como ocorre no caso dos EUA, do Japão e da Europa em sua relação com países em desenvolvimento, trabalhamos, de facto e taticamente, da seguinte forma:
Nossas embaixadas no exterior, o Itamaraty, o Governo Federal – muitas vezes com base na diplomacia presidencial, como sempre agiram os EUA e países como a França – lembremos Sarkozy fazendo tudo para vender ao Brasil caças e submarinos durante sua última visita ao Brasil, por exemplo – negociavam os programas, o BNDES os financiava, e as grandes construtoras brasileiras, da pioneira Mendes Júnior à Andrade Gutierrez e à Odebrecht, os construíam, exportando para isso a competência nacional na execução de projetos, trabalhadores – houve época em que a Mendes Júnior International empregava vários milhares de brasileiros no Iraque – insumos,  material de construção, automóveis, caminhões, máquinas e equipamentos, trazendo, à medida que eles eram pagos ao BNDES, bilhões de dólares para o Brasil em divisas.
Beneficiando não apenas seus investidores e acionistas mas toda a economia nacional, comprando e pagando uma vasta cadeia de centenas de fornecedores, e gerando dezenas de milhares de empregos para cidadãos brasileiros aqui e no exterior.
Por isso, se há uma campanha canalha, mendaz, imbecil e perversa, profundamente prejudicial ao futuro  do país, realizada nos últimos quatro anos, na imprensa e nas redes sociais, pelo exército de antibrasileiros e fascistas que nelas pululam, para ajudar na derrubada do governo Dilma, essa campanha foi a do ataque à atuação das empreiterias brasileiras no exterior, com a disseminação tácita, em uma solerte e permanente estratégia da qual não se isentaram de participar,  indiretamente, nossos competidores externos, de mentiras como a de que o BNDES financiava diretamente governos estrangeiros – quando o financiamento se dava, na maioria, diretamente a empresas brasileiras para a exportação de serviços e produtos nacionais – de que esses recursos estavam indo graciosamente, ou de forma ilegalmente facilitada, para o exterior – quando eles não diferiam, em suas condições, das oferecidas por outros países e bancos de fomento semelhantes – e de que esses projetos retiravam dinheiro do Brasil, quando ele poderia estar sendo utilizado aqui dentro, como se esses investimentos não voltassem com lucro para o país, e como se os governos Lula-Dilma não tivessem poupado 410 bilhões de dólares em reservas  internacionais (40 bilhões pagos ao FMI, mais 370 bilhões economizados, parte deles empregados em títulos dos EUA), sem aumentar a dívida líquida ou a bruta, que era de 80% do PIB em 2002.
Deixando, no final do governo Dilma, 100 bilhões de reais sobrando no caixa do BNDES, criminosamente “pagos” antecipadamente ao Tesouro, há poucos dias, quando poderiam estar sendo investidos – para gerar  milhares de empregos em um país que está em recessão – em projetos de infraestrutura.
Com esse tipo de atitide surreal e estapafúrdia, não é de estranhar que os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social tenham caído em 35% no ano passado, com relação a 2015, para apenas 1,4% do PIB, o menor nível dos últimos 20 anos, e três vezes com relação a 2010, quando somaram 4.3% do Produto Interno Bruto.
A situação chegou a um ponto tão absurdo, que se busca criminalizar a participação de ex-presidentes da República, como Lula, na obtenção de obras no exterior, depois de sair da Presidência, como não se tratasse, essa atividade, do trabalho normal de ex-presidentes em qualquer país do mundo.
Como Clinton, nos EUA, Sarkozy, que citamos  mais uma vez, Gorbachev e outros, menos votados, fizeram em benefício de seus respectivos países, durante anos.
E como se essas obras não beneficiassem, como vimos aqui, milhões de compatriotas, na geração de empregos para brasileiros, dentro e fora do Brasil, e na exportação de produtos, máquinas e insumos.
A verdade é que, em um momento em que,  devido à ascensão de Trump nos EUA, o nacionalismo  recrudesce cada vez mais, acirrando a competição das grandes nações por influência política e institucional, mercados e consumidores para seus produtos; a projeção do Brasil na América Latina e no mundo, com base na vitoriosa exportação de grandes programas de infraestrutura e de equipamentos; e na implementação de projetos de grande porte como o da Braskem, no México, se esvanesce e está prestes a desaparecer, enterrada por um governo estrategicamente inepto, se não abertamente subserviente a interesses estrangeiros, no mesmo caixão em que descansa, destruído pelas mesmas mentiras, ignorância e hipocrisia, o cadáver  vilipendiado e em acelerado processo de decomposição da engenharia brasileira.
A Jurisprudência da Destruição vigente no país, dedicada não à caça de corruptos, mas à destruição de nossas maiores empresas, conseguiu não apenas inviabilizar a engenharia nacional dentro de nossas fronteiras, mas também fora delas, em associação e cooperação com a justiça de países que, como os EUA, competem diretamente com o Brasil na própria América Latina, e possuem grandes empresas nessa área, que estão de olho no Brasil e no continente latino-americano, empresas que não são e nunca foram – pelo contrário – nenhum exemplo de fairplay e de honestidade no mundo dos negócios.
A Odebrecht já teve que paralisar as obras do maior gasoduto do Peru, o governo equatoriano suspendeu a participação da empresa em obras públicas, a Colômbia e o México abriram investigações e o Panamá cancelou contratos com a empresa.
E, como e não bastasse, por pressão da AGU, a nova diretoria do BNDES acaba de suspender o financiamento de 25 contratos para a exportação de serviços de engenharia para 9 países diferentes, no valor de 7 bilhões de dólares – alguns devem ser simplesmente cancelados – embora 2.7 bilhões de dólares já tenham sido aplicados neles.
São cinco obras em Angola, incluindo o Pólo Agroindustrial de Capanda, usina também construída por empresas brasileiras; duas na Argentina, incluído o Aqueduto del Chaco;  o Aeroporto de Havana em Cuba (imaginem se essa obra ia ficar, com a atual onda de fascistização no Brasil o mais provável é que acabe sendo executada, com lucro, por alguma construtora espanhola ou italiana); uma grande rodovia em Gana; um complexo rodoviário na Guatemala; uma hidrelétrica em Moçambique; várias obras rodoviárias na República Dominicana; linhas de metrô, uma siderurgica e um estaleiro na Venezuela (um dos  maiores compradores de produtos brasileiros nos últimos anos) que, embora em crise, poderia nos pagar em petróleo ou combustíveis, por exemplo).
Seguindo essa absurda lógica da fantástica Jurisprudência da Destruição vigente no Brasil, para se economizar 7 bilhões de reais supostamente ameaçados de envolverem irregularidades, interrompem-se e cancelam-se obras no valor de quase a metade desse total, ou cerca de 2.7 bilhões de dólares – quase 10 bilhões de reais – jogando esse dinheiro no lixo, e quebrando, no processo, centenas de empresas, mandando milhares de trabalhadores para o olho da rua, não apenas no Brasil, mas em vários outros países,  gerando um tremendo prejuízo financeiro e social, e um incalculável, irrecuperável, dano para a imagem do Brasil  no exterior, que fica com fama de nação instável e írresponsável, à deriva, com instituições não confiáveis que não honram sua palavra e seus compromissos.
Thank you, Jet Wash, thank you, mister Moro! Poderiam dizer as empresas norte-americanas, agora, agradecendo, penhoradamente, o fim da influência brasileira na América Latina.
Nos EUA, elas continuarão trabalhando, sem ser incomodadas, devido, entre  outros fatores, à regulamentação do lobby,  na concepção e construção de porta-aviões, caças-bombardeios,  blindados e de novas armas, como canhões de munição cinética,  a serviço da modernização da doutrina militar norte-americana – há poucos dias os Estados Unidos testaram uma nova espécie de ataque, tipo Guerra nas Estrelas, com a uso de nuvens maciças de drones.
E a eleger, também sem ser incomodadas,   deputados e senadores, ligados a “grupos de apoio” financiados por elas, no Congresso, para proteger livremente seus interesses, em benefício de setores como os de infraestrutura e defesa, enquanto, no Brasil, suas congêneres, que para correr o risco de ver seus dirigentes ser detidos basta que seu nome seja encontrado na agenda de alguma autoridade governamental – estão vendo suas obras serem interrompidas e sabotadas e inviabilizadas não apenas aqui, mas também no estrangeiro.
Tudo isso, infelizmente, devido à desinformação “estratégica” de praticamente toda uma geração de juízes e procuradores do Ministério Público, que parece não ter a menor ideia do que, a médio e longo prazos, representam coisas como interesse nacional, influência e liderança continental, espaço de projeção regional, programas de “softpower”, cooperação para o desenvolvimento, integração construtiva, formação de mercados,  exportação de “know-how”,  técnicos, serviços, insumos, matérias-primas, equipamentos; financiamento e  fomento, nos moldes do que fazem os bancos públicos europeus, japoneses e norte-americanos como o Eximbank,  o KFW Bankengrouppe, da Alemanha, o JBIC, do Japão, por exemplo.
Tudo isso, para viabilizarem, com sucesso, esses países, projetos que, em última instância, tem o objetivo de  cooptação e propaganda, no sentido da conquista dos corações e mentes de aliados e até mesmo de ex-adversários ou de potenciais inimigos, como fez os EUA com o Plano Marshall, na Europa, logo  após o fim da Segunda Guerra Mundial.
Mas é claro que um projeto nacional dessa natureza, um trabalho de décadas de investimento estratégico e diplomático, para não falar do desenvolvimento e construção de uma imagem de excelência em engenharia de infraestrutura, energia e defesa, no valor de dezenas de bilhões de dólares em projetos, dentro e fora do país, não pode ser mais importante que uma campanha corporativa, mendaz e hipócrita, voltada para inflar, junto a uma opinião pública majoritariamente formada por idiotas, o gigantesco ego de quem a conduz; incapaz de comprovar os supostos (e a nosso ver, irrisórios, irrelevantes, marginais) 3% de desvios que, afirma-se,  teriam ocorrido no caso da Petrobras e que por isso funciona na base de multas punitivas gigantescas de justificativa fantasiosa e subjetiva como “danos morais coletivos”.
Campanha essa que se baseia em uma operação tão ignorante, do ponto de vista estratégico,  quanto inútil e destrutiva, que arrebentou com a governabilidade do país e já acarretou mais de 140 bilhões de reais em prejuízo para a economia.
Uma máquina ininterrupta de moer empresas, riqueza, projetos, investimentos, acionistas, investidores, trabalhadores, reputações, que no final, não dará em quase nada,  do ponto de vista histórico, como ocorreu com a Operação Mãos Limpas, na Itália.
A não ser promover a morte e desnacionalização de nossas maiores empresas de engenharia e ajudar na interrupção, implosão, atraso e quebra de projetos fundamentais para a segurança nacional, como a construção do submarino atômico da Marinha, dos caças bombardeios da Aeronaútica, de nosso projeto de enriquecimento de urânio, da construção dos novos mísseis ar-ar da Força Aérea, entre outros.
Levando ao surgimento de uma massa e de um partido fascista no Brasil, que poderá resultar na eventual eleição, baseada na “anti-política” estupidamente fomentada no país nos últimos três anos, de um energúmeno qualquer também fascista (ou assemelhado, como ocorreu com Berlusconi, na Itália)  para a Presidência da República em 2018.
A corrupção, ao contrário do que defendem os teóricos das “10 Medidas…” e da Operação Lava-Jato, superestimando ao infinito a importância do que estão fazendo, ou melhor, desfazendo, não acabará no Brasil, como, aliás, em nenhum país do mundo, por obra e graça de uma operação jurídico-policial que pode se esticar ad aeternum, artificialmente, até que caía na banalização e no esquecimento, por obra e graça de sua própria, evidente e original, insignificância. do ponto de vista histórico, e do que realmente interessa, no longo prazo, para o país.
Se repressão à corrupção resolvesse alguma coisa, não haveria, como já dissemos aqui, corrupção na China, onde corruptos são condenados à morte e executados com uma bala na nuca.
Nem nos EUA, onde o lobby – uma maneira “elegante” de designar a adequação de interesses de empresas, partidos e “políticos” – é  regulamentado e todo mundo sabe que negócios não se fazem sem contatos, a ponto de o genro do presidente eleito Donald Trump, estar sendo investigado por suas relações com um “executivo” chinês que é casado com a neta do Presidente Xi Jinping.
Ou na Espanha, onde a família real foi acusada, e o genro do Rei ganhava salários milionários de empresas espanholas que vieram para o Brasil – teoricamente para acabar com os “cabides de emprego” de nossas empresas estratégicas, criminosamente privatizadas e desnacionalizadas, na década de 1990, como ocorreu com a Telebras.
Até porque o que se está considerando aqui corrupção, em alguns casos, como resultado de descarada interferência do Judiciário e do Ministério Público na Política, em outros lugares, como os EUA – tão incensado e babado por certos juízes e procuradores – não é considerado mais do que relações normais entre o setor público e o privado, sem as quais um país normal não consegue funcionar.
No Brasil, será possível melhorar o combate à corrupção – nunca vencê-la, porque isso, infelizmente, é um objetivo de difícil consecução na maioria dos países do mundo – quando o ensino da ética, da cidadania e da honestidade, com base na Constituição, tornar-se obrigatório durante todo o período escolar, do ensino infantil à universidade, em todo o território nacional.
E o STF determinar finalmente, sem margem de dúvida, e sem acovardar-se diante da malta fascista que costuma tomar as ruas, o que é e o que não é corrupção, aos olhos da lei, se considerando o Caixa 2, as doações oficiais de campanha, os financiamentos a partidos e fundações, o pagamento de palestras e de consultoria, hoje tudo automaticamente transformado em propina, para justificar a permanência e ubiquidade do processo kafquiano que tomou conta do país.
Sem esquecer a Suprema Corte que, ao fazê-lo, é preciso atuar com a lucidez necessária para não inviabilizar o funcionamento normal das empresas, das instituições e da economia, a cada novo escândalo, “fabricado” ao não.
E de não paralisar o país nas próximas décadas, impedindo a implementação dos programas e projetos necessários à construção do desenvolvimento e da soberania, e à reconquista de uma positiva e construtiva liderança na América Latina, já prejudicados de per si, pela estúpida aprovação da PEC 55, que nos engessará, do ponto de vista da competição, com relação a outras nações, nos próximos 20 anos.
Em, inglês, o termo Jet Wash designa o que costumamos chamar aqui de lavadora de alta pressão, enquanto Wash-Craft se refere ao que poderíamos chamar de lava-jato tradicional, aqueles “túneis” de posto de gasolina, que vemos nos filmes de Hollywood.
De comum,  a ideia de rapídez, associada, primeiramente, no caso brasileiro, à lavagem de dinheiro, com o ganho institucional de lembrar também, em duplo e subjacente sentido,  a intenção de se limpar, manifestada, a todo momento,  pelos novos hércules de nossa novíssima mitologia, os currais de Aúgias da “corrupção” nacional.
Ora, qualquer um que tenha usado uma lavadora desse tipo, sabe que o segredo está na pressão que se coloca nela.
Pouca força pode atrasar o trabalho, que, no entanto, sairá mais prudente e meticuloso no final, e muita pressão, descontrolada, pode simplesmente arrebentar com a pintura do carro, ou abrir buracos, arrancando lascas, no piso de ardósia da garagem que se está lavando.
Considerando-se os resultados obtidos, em termos de eliminação de postos de trabalho, paralisação, interrupção, sucateamento, de projetos de bilhões de dólares – agora também fora das fronteiras brasileiras, mas em obras que envolvem empresas nacionais – e o prejuízo, de dezenas de bilhões de reais para acionistas, investidores e fornecedores, incluídas multas punitivas de dimensões estratosféricas, a Lava-Jato lembra, estrategicamente, um bando de malucos que tomaram de assalto um brucutu – veículo blindado de dispersão de multidões com o uso de jatos de água – daqueles que mandam o manifestante a vários metros de distância e entortam  sinais de trânsito  – que estão se divertindo quebrando  ossos e vitrines e parabrisas de carro.
Mas é claro que não se pode computar todo esse desastre apenas à ignorância e desinformação dos membros da Operação.
A Lava-Jato tem evidentes objetivos políticos, mal-disfarçados pelas desastradas declarações de alguns de seus membros (“timing”, “convicções”, ativismo político na internet e fora dela, etc), que podem ter ido da facilitação da derrubada do governo Dilma ao fortalecimento da plutocracia com relação ao poder político eleito diretamente pelo povo, passando pelo impedimento da  candidatura de Lula em 2018, ou pela eventual candidatura de uma de suas “celebridades” nas próximas eleições presidenciais.
É preciso, portanto, ser justos.
É claro que o Juiz Sérgio Moro não alcançou, ou está prestes alcançar, esse objetivo, entre outras coisas, tão interessante para os Estados Unidos, sózinho.
É preciso colocar, igualmente, no pedestal  dos responsáveis pela destruição da engenharia brasileira, de nossas maiores empresas e construtoras, da sua utilização estratégica do ponto de vista geopolítico, no esforço de integração e de desenvolvimento da América do Sul e do Caribe –  as únicas áreas em que o Brasil poderia projetar, históricamente, sua influência, além da África – os jovens (alguns já nem tanto) procuradores do Ministério Público, tão ególatras quanto desinformados, do ponto de vista estratégico, que com ele dividem, de vez em quando,  holofotes e incensos na terra do Tio Sam.
E, mais uma vez, não podemos também ser injustos, é preciso não esquecer a decisiva contribuição e hipocrisia  da parcela mais  cínica, mendaz, abjeta e entreguista da mídia, aquela que não tem a menor visão de país, e nenhuma responsabilidade para com o futuro e os interesses do Brasil, ou para com o fortalecimento pátrio.
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