TV a cabo: bye-bye, Globo!

Ela ganha dinheiro com juros…

por Paulo Henrique Amorim, Conversa Afiada

O Conversa Afiada já demonstrou que, ao dividir por três os lucros da Globo Overseas, se observa:

• o negócio de vender entretenimento e sub-jornalismo em troca de publicidade é decadente – ela já não lucra mais com o negócio principal, a rede de televisão;
• ela ganha dinheiro com juros e, por isso, comprou parte de uma DTVM, a Órama.
• o outro terço do lucro dela é também decadente: o que fatura por vender conteudo à tv a cabo, por assinatura.

Por isso, ela se vendeu à Vice, segundo o professor Pedro Augusto Pinho.

Por que?

Como demonstra o artigo impecável de Mauricio Stycer, na Fel-lha, a tevê por assinatura agoniza e, com ela, a Globo Overseas:

Um setor sob pressão

Apesar das especificidades de cada mercado, o setor de TV por assinatura é o que mais tem sofrido pressão, em todo mundo, diante do crescimento das possibilidades oferecidas pela revolução digital.

Estabelecido já há décadas, com base em duas tecnologias principais (cabo e satélite) e na venda de “pacotes” com mix de conteúdos (canais variados), o setor se vê questionado em diferentes frentes.

O “inimigo” mais visível é o streaming, ou seja, a possibilidade de consumir conteúdos audiovisuais via internet e por um preço bem mais razoável. Diferentes empresas têm apostado nesse caminho –e a Netfl​ix é a principal delas.

Um estudo divulgado na semana passada causou algum alvoroço ao mostrar que o número de assinantes da Netflix nos EUA superou o total de clientes de TV a cabo no país.

Comparando dados do primeiro quadrimestre de 2016 com período igual de 2017, os dados mostram que as operadoras de TV a cabo caíram de 49,11 milhões para 48,61 milhões de clientes, enquanto a provedora de conteúdo on-line saltou de 46,97 milhões para 50,85 milhões de assinantes.

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Ainda que altamente simbólica, a estatística distorce a visão do mercado ao não incluir, do lado do setor de TV paga, os clientes de TV via satélite ou por outras tecnologias. No total, estima-se haver hoje nos EUA cerca de 95 milhões de domicílios com algum tipo de TV paga. O pico, alcançado em 2011, foi de 100,9 milhões.

No Brasil, o setor afirma não ver como rivais serviços como a Netflix e enxerga a crise econômica como principal motivação dos “cortadores de cabo”. Perto de chegar em 20 milhões de assinantes no final de 2014, ele começou a cair em 2015 e não parou mais (veja quadro).

Divulgados há poucos dias, os números relativos a abril apontam um tombo considerável –uma perda de 171 mil clientes em apenas um mês. De 18,93 milhões de assinantes em março, regrediu-se para 18,76 milhões, um encolhimento de quase 1%.

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Ainda que o setor de TV por assinatura minimize os efeitos tanto da Netflix quanto do conflito com a Simba, mais empresas estão enxergando possibilidades de negócios à margem desse sistema estabelecido.

Na semana passada, um dos principais produtores de conteúdo da televisão, a HBO, anunciou que vai oferecer o seu cardápio desvinculado de pacotes de TV por assinatura em toda a América Latina ainda em 2017. ​

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