Veja mostra que a direita procura sua nova cara

Por Fernando Brito, Tijolaço

A leitura da Veja, esta semana, em canhoneio pesado contra o Governo Temer, dá sinais de que a direita, tal como aconteceu sob o governo ilegítimo de José Sarney, tão dominado quanto este pela politicalha e tão enfiado na crise como o atual está  – omeça a procurar sua nova cara, sempre contra o velho “perigo vermelho”.

Não só a Veja, aliás.

Por toda parte, vêem-se os ensaios com João Dória e – fazer o quê? – Jair Bolsonaro.

O aniquilamento das estruturas políticas convencionais – os partidos  e o Governo – além das próprias ações suicidas de ambos passou a ser a palavra de ordem essencial, tal como ocorreu quando se aproximava o final do fracassado período Sarney.

Temer e o valhacouto de investigados que se tornou seu governo parece ter chegado a um poto de definição: ainda tem forças para fazer o mal que dele se espera mas sem qualquer alívio na crise econômico-social que não o faça um estigma para qualquer projeto de conservação futura do poder.

Menos ainda o deplorável Supremo,agora continuamente atacado, inclusive pelos porta-vozes da República de Curitiba, pela qual seus áulicos mais “qualificados” – livres, como as mulheres da PM de deveres de respeito à hierarquia – já afirmam que “o STF é uma piada de mau gosto”.

Dória seria, até, para estas forças, um autoritarismo com modos, uma espécie de “trumpismo” tupiniquim, onde o rico virá botar na casa a ordem que a classe média deseja. Mas Dória não tem a liberdade de rosnar e arreganhar os dentes que  tem Bolsonaro, seu rival na disputa pela posição de Collor 2018.

Nem a de produzir fanáticos orgulhosos de seu delírio, uma espécie de SA hitleriana, onde pobres, gays, índios, nordestinos e mulheres possam ter outra serventia senão obedecerem e conformarem-se.

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É difícil mensurar o alcance de cada um, salvo por pesquisas sempre pouco confiáveis: Dória é midia e São Paulo; Bolsonaro é primarismo intelectual e brutalidade verbal.

O fato é que os conservadores “convencionais” já parecem em irremediável decadência, como tiveram, no passado, Ullyses e Aureliano, tragados para posições humilhantes pela adesão da mídia ao príncipe das Alagoas.

Se você quer uma boa pista sobre para onde caminha a direita, siga a Veja, inclusive seu “aviso aos navegantes” de que “a jararaca está viva”, ao contrário do néscio Aécio, que finge que ele morreu, porque assim asseguram seus amigos colunistas da grande imprensa, que o largarão com a mesma sem-cerimônia que largaram Temer – aquele que há dois meses atrás “era até bonito” e “entendia de romances”.

Como os urubus, Veja vê de longe a carniça.

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